Nem a lactose, nem a caseína: o problema do leite pode ser a pasteurização

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O leite, assim como outros alimentos, possui um valor quase emocional para a sociedade, porém é objeto de divergências entre especialistas. De acordo com a nutricionista Vanderlí Marchiori, do Conselho Regional de Nutrição de São Paulo, o problema começa aos 5 anos, quando o organismo diminui a produção da enzima que digere a lactose (lactase), que não digerida, passa a fermentar no intestino e se transforma em “comida” para fungos. Já para a nutricionista Denise Carreira, especializada em Nutrição Clínica Funcional pela Universidade de São Paulo (USP), o problema está na betalactoglobulina e na caseína, pois o organismo humano não tem enzimas que digerem essas substâncias. Denise ressalta que o leite estimula a produção de muco, que em excesso, está relacionado a uma série de problemas respiratórios. Mas nem tudo parece estar perdido para os amantes do leite.

Uma campanha chamada “Real Milk” defende que a vilã da história não é a lactose, nem a caseína, mas sim a pasteurização. Criada pela jornalista americana Kimberly Hartke, a iniciativa possui um site (http://www.realmilk.com) explicando tim tim, por tim tim. Chamado de leite cru, de acordo com Hartke, a bebida ideal é a fresca, consumida em cerca de 30 minutos após a ordenha. Mas então esse leite não tem lactose nem todas aquelas proteínas alergênicas? Tem, mas contém também a L. lactis e outras bactérias capazes de quebrar as moléculas de caseína no trato digestivo. Além de possuir a lactase, amilase, catalase, lactoperoxidase, lipase e fosfatase, enzimas que digerem a lactose e outros carboidratos do leite.

Ou seja, o leite cru, além de nutritivo, possuiria todos os “antídotos” que combatem as alergias, mas que são eliminados no processo de pasteurização. Como isso acontece? Durante a pasteurização, o leito é elevado a uma temperatura de até 75ºC para destruir seus microrganismos patogênicos. Mas o processo também desativaria os componentes benéficos.

A “Real Milk” ressalta que o leite cru é totalmente seguro se produzido em condições sanitárias adequadas. É importante também que as vacas sejam saudáveis, livres de quaisquer infecções. Os animais devem se alimentar adequadamente, consumindo principalmente pasto e uma pequena quantidade de grão, se houver, orgânicos. A ordenha deve ser feita com assepsia. O leite é somente coado e resfriado e não sofre nenhum tipo de processamento.

O problema é que no Brasil é expressamente proibido o comércio de leite cru. Nos EUA e em alguns países da Europa e Japão essa prática ainda é alvo de críticas pela indústria do leite que se vê ameaçada, mas vem ganhando adeptos. Mais informações no site http://www.realmilk.com.

Fontes

www.realmilk.com

http://boaforma.abril.com.br/dieta/aliados-da-dieta/beber-ou-nao-beber-leite-488947.shtml

http://www.cienciadoleite.com.br/?action=1&a=54&type=1

4 Comments

  1. Pingback: Leite orgânico é pasteurizado artesanalmente e não leva química | Estar Bem

  2. Fernanda

    Infelizmente acredito que a maior parte das condições higiênicas e sanitárias das ordenhas no Brasil impossibilita esta realidade, no Brasil ainda se transporta leite em latão sem nenhuma condição de higiene.

  3. Pois é,

    Triste nos encontrar nessa situação onde o leite cru, ou real milk não sejam encontrados devido a falta de condições de higiene dos produtores e transportadores. Estou procurando leite, e garanto que encontrá-lo já somente na simples pasteurização é uma grande dificuldade em São Paulo, e creio que também seja em outras grandes cidades.

    O tal do leite de saquinho, apenas pasteurizado sumiu. Basta procurar e você vai encontrar o leite que foi elevado a altas temperaturas (130-150oC) que além de retirar as bactérias e microorganismos nocivos à saúde eliminam também todo o resto do qual você tão bem descreveu em sua matéria. Esse é o famoso leite UHT ou UAT (ultra alta temperatura).
    Além deste processo, para aumentar ainda mais longevidade do leite e feita a padronização, ou homogeneização do leite. Processo que força o leite por uma pequena passagem,quebrando as moléculas de maior volume.

    Eu já ficaria muito contente em ver o leite de saquinho não longa-vida por aí para poder produzir meu próprio queijo,por exemplo. É, não da pra fazer com esses leites mortos que encontramos por aí.

  4. Leite de saquinho realmente sumiu, aqui em Jundiaí – SP não se encontra mais também, todos os outros leites são impossíveis de se beber puro por causa do gosto ruim.

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