Uma outra visão sobre o colesterol

coração

O que você faria se descobrisse que toda essa história de que colesterol faz mal não é verdade? Pelo contrário! Se você soubesse que baixos índices dele são prejudiciais à saúde e óleos vegetais e margarinas estão mais ligados a doenças coronárias, como infarto, que manteiga e carnes?

O médico Eduardo Almeida, PhD em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em artigo intitulado “O grande conto do colesterol”, explica que o essa história começou quando o cientista russo, David Kritchevsky publicou uma pesquisa afirmando que o colesterol produzia arteriosclerose no coelho e que as gorduras polinsaturadas poderiam reduzir os níveis de colesterol, propondo a redução do consumo de produtos animais. Porém, a placa apresentada pelo coelho era completamente diferente da placa do humano.

Em 1956, a American Heart Association (AHA) comunicou a “Tese Lipídica” nos três maiores canais de TV, recomendando a “Dieta de Prudent”, que orientava para o consumo de óleos vegetais, margarinas, galinha, ao invés de toucinho, manteiga e ovos. Porém, nem todos concordavam. O cardiologista Dudley White declarou publicamente que, desde o início de sua prática em 1921, nunca tinha visto um infarto do miocárdio até 1928. Até mesmo a AHA já havia negado a “Tese Lipídica” anteriormente, mas após um intenso lobby da indústria alimentar a associação se rendeu.

Segundo Eduardo Almeida, entre 1910 e 1920, quando se consumia basicamente gordura saturada, a doença coronária era uma raridade. Em 1970, ela já era responsável por 40% das mortes nos EUA. Nesse período de 1920 a 1970, o consumo de gordura saturada caiu de 83% para 62%; o consumo de manteiga caiu de 8 Kg para 1,8 kg por pessoa/ano; o consumo de colesterol aumentou 1%; o consumo de óleos vegetais aumentou 400%; o consumo de açúcar aumentou 60%.

Estudos suecos publicados em 2004 no British Journal of Nutrition revelaram que o consumo de manteiga está negativamente associado à doença coronária, pelo contrário, protege o coração. O médico ressalta ainda que na Índia, as populações do Norte consomem sete vezes mais gorduras saturadas do que as do Sul e têm igualmente menos doenças coronárias.

“O colesterol não é uma gordura e sim um esterol (álcool) com estrutura semelhante a do hormônio, que se torna hidrossolúvel quando ganha a capa de uma lipoproteína”, explica. “Por esse motivo não adere à placa ou à rugosidade endotelial. São os triglicérides que aderem à rugosidade endotelial. O colesterol não está nas gorduras e sim nas carnes (membrana celular). É completamente insustentável a história de colesterol bom (HDL) e ruim (LDL). O primeiro é a forma de transporte do colesterol das células para o fígado, o segundo do fígado para as células. Ambos têm suas funções específicas e essenciais. Foi a indústria farmacêutica quem inventou esse conto”, conclui o médico.

O colesterol ingerido pelos alimentos, de acordo com Eduardo, responde apenas por cerca de 30% do colesterol sanguíneo, os outros 70% são produzidos pelo próprio organismo.

Ele ressalta ainda os benefícios do colesterol para o organismo, como integridade estrutural da membrana celular, precursor dos esteroides (cortisol e hormônios sexuais) e vitamina D, além de participar da produção dos sais biliares, é um antioxidante poderoso, sensibiliza os receptores da serotonina e é estratégico na ativação sináptica cerebral.

O cirurgião especializado em cardiologia, Lundell Dwight, autor do livro “A Cura para a Doença Cardíaca e A Grande Mentira do Colesterol” é categórico ao afirmar que a verdadeira causa da doença cardíaca é a inflamação do organismo. Segundo Dwight, sem a presença de inflamação no corpo, não há nenhuma maneira que faça com que o colesterol se acumule nas paredes dos vasos sanguíneos e cause doenças cardíacas e derrames. Ele garante que sem a inflamação, o colesterol se movimenta livremente por todo o corpo como a natureza determina.

De acordo com o cirurgião, os maiores culpados da inflamação crônica são a ingestão excessiva de carboidratos altamente processados, como açúcar, farinha e seus derivados, e o excesso de consumo de óleos vegetais como soja, milho e girassol, encontrados em muitos alimentos processados.

“A medicina tradicional cometeu um erro terrível quando aconselhou as pessoas a evitar a gordura saturada em favor de alimentos ricos em gorduras vegetais. Temos agora uma epidemia de inflamação arterial levando a doenças cardíacas e a outros assassinos silenciosos”, declara Dwight.

Leia a íntegra do artigo do médico Eduardo Almeida no link http://www.arzt.com.br/artigos/o-grande-conto-do-colesterol

10 Comments

  1. guilherme

    Daniele, a literatura médica é abarrotada de artigos, nos mais variados formatos epidemiológicos, confirmando a associação entre níveis de LDL e doença e MORTALIDADE cardiovascular. Mais importante, há outra enxurrada de pesquisas demonstrando o poder das estatinas em abaixar estes níveis e, por consequência, reduzir incidência de eventos isquêmicos em pacientes na prevenção primária (sem antecedentes de infarto prévio) e secundária (infartados previamente, com alto risco de novo evento e morte).
    A medicina inteira está enganada e/ou corrompida pela indústria, é isso que você acredita?
    abs

    • Portal Estar Bem

      Oi, Guilherme.
      Não acho que a medicina esteja corrompida, porque isso generaliza a questão e envolveria profissionais sérios, que realmente acreditam nos usos das estatinas e na “teoria do colesterol”. Essas pessoas estudaram e se filiaram a esse tipo de pensamento da medicina, honestamente. Porém, pelo o que vejo na prática (meu pai e uma grande parte da sua família sofre com este problema) e estudo na teoria, eu opto por acreditar na corrente e nos estudos que entendem o organismo como um todo e tratam a questão do colesterol pela ótica que abordo neste post.

      A questão dos estudos científicos é uma verdadeira problemática da nossa medicina, pois são, muitas vezes, fomentados pela própria indústria farmacêutica, que obviamente, banca as pesquisas para validar o que elas produzem. Não há nada de errado nisso, é a lógica, mas prefiro sempre buscar outras fontes acerca dos métodos para tratamento de desequilíbrios que acometem um grande número de pessoas atualmente, como a hipercolesterolemia.

      A ciência e seus métodos produz diversas correntes de pensamento sobre uma mesma questão, eu uso o Estar Bem para dar voz às correntes que não são tão propagadas nos veículos de mídia de massa.

      Grata pelo seu contato,
      Daniele

  2. guilherme

    Eu entendo seu ponto de vista. Só que a indústria financia uma parte muito pequena da pesquisa mundial hoje em dia.

    Um contraponto: existe uma doença genética chamada hipercolesterolemia familiar. É um defeito único (diferente de outros estados hipercolesterolêmicos, que são multifatoriais), herdado e que determina níveis muito, muito altos de colesterol LDL nos homozigotos, 3 a 4 vezes o normal.

    Esses caras morrem infartados antes dos 20-30 anos de idade, invariavelmente – a não ser que tomem estatinas, o que reduz (mas não elimina) esse excesso de risco todo. Nesses casos, colesterol leva, sim, a infartos graves e precoces. Este é um exemplo.

    Enfim, assim como outros dados que li aqui sobre glúten, adoçantes, vacinas e até contra o flúor, são informações fora da corrente de conhecimento científico vigente e que ao mesmo tempo em que podem ser defendidos por algumas opiniões, especialmente nesse linha de saúde “integral”, também são postas à prova por um corpo enorme de evidências.

    Você, como escreve muito bem, tem o poder de influenciar muitas pessoas que podem ser prejudicadas por essas convicções – não por recomendar que se evitem adoçantes (outra situação de risco não comprovado), por exemplo, mas falando mal de vacinas e estatinas – que foi como cheguei aqui. Como sugestão, vc poderia mostrar o outro lado da situação e deixar mais claro que algumas de suas opiniões são pessoais e apesar de embasadas por PhDs, não são consenso científico.

    Espero não ter sido intrusivo demais.

    • Portal Estar Bem

      Caro Guilherme,
      Não foi intrusivo de maneira alguma. Minha página está aberta a pessoas que, como você, educadamente, tem todo o direito de discordar do ponto de vista que coloco no portal. Mas veja, sinto que uma discussão pode não ser mais construtiva quando começamos a debater ideologia, e não mais a questão em si. Certamente, pelo o que você já disse, estamos em lados diferentes desta história. Pensamos diferente, nos filiamos a ideologias diferentes.

      Diariamente somos bombardeados por informações que propagam uma só voz, uma só opinião. O problema do colesterol, hipertensão, diabetes, o uso das vacinas, o flúor, tudo é colocado de forma favorável e abundante na mídia, ou seja, o outro lado, o lado em que você me parece aderir já está mais que posto, diariamente. Eu REALMENTE acredito nas pesquisas e médicos que cito em minhas matérias e penso que escrever sobre estes temas a luz de diferentes pontos de vista dá a possibilidade às pessoas de escolherem o caminho que desejam seguir.

      Eu realmente estou de acordo com os médicos e estudos que coloco em minha página, que até podem não ser consenso científico, mas me parecem mais coerentes. Olho ao meu redor e só vejo pessoas com problemas de saúde. Olho os números oficiais e me deparo com nossas crianças com doenças de idosos, como diabetes e hipertensão. Câncer é corriqueiro. A maioria das mulheres que conheço tem hipotireoidismo. O organismo das pessoas está entrando em colapso e elas não estão seguindo os médicos e pesquisas que mostro aqui, porque essas informações não são tão fáceis de encontrar. Elas fazem tudo como manda o consenso científico.

      Tudo sobre o que escrevo aqui pratico em minha vida sob orientação médica. Inclusive sobre essa questão do colesterol, pois o meu já esteve além do limite preconizado. Eu mudei meus hábitos, até então guiados pelo consenso científico, há uns 4 anos, e só vejo melhora em minha vida, Guilherme. Parei de tomar anticoncepcionais para regular minha menstruação e vi que meu ciclo poderia se regular sozinho se deixasse, se me alimentasse bem e fizesse exercício. Parei com o glúten e com a medicação sintética para o hipotireoidismo e vi a doença regredir drasticamente, hoje nem tenho mais anticorpos “atacando” minha tireoide, ela deixou de ser Tireoidite de Hashimoto.

      Passei a viver corajosamente no contrassenso e vi, na prática, muita coisa melhorar na minha saúde, abalada pelo o uso contínuo de antibióticos e consumo de alimentos que se diziam inofensivos, entre outras coisas, na infância. Portanto, dividir esse ponto de vista com as pessoas, a meu ver, jamais influenciaria negativamente, mas sim POSITIVAMENTE. O consenso está posto, Guilherme, nos diversos veículos, muito maiores que o Estar Bem, eu apenas coloco aqui outras fontes, também científicas. Cada um, munido de informação, tem o poder de escolher seu próprio caminho.

      Apenas ressaltando: os artigos são claramente opinativos e embasados cientificamente.

      Grata,
      Daniele

  3. Guilherme

    Ciência não é opinião – embora existam vieses, erros e limitações metodológicas em quase tudo o que se lê. Só alguém bem treinado no método científico (e de preferência especializado naquele determinado assunto) pode captar estas nuances com mais clareza.

    Afirmar que “colesterol nunca fez mal, garantem médicos”, como leio na URL dessa página é um erro – não existe espaço pra opinião nisso, haja visto o exemplo que postei acima. Colesterol alto no sangue faz mal, sim. Mesmo essa sentença é complicada de se generalizar, pois existem mil nuances, mas é a regra geral. É o que diz o consenso, exaustivamente testado e comprovado, isenta da qualquer opinião.

    Concordo que as pessoas tem ficado muito doentes e muito mais cedo, mas tem certeza que elas seguem o consenso científico vigente, como você afirma? Olhe as pessoas ao seu redor e veja se essa afirmação é verdadeira.

    Enfim, concordo que cada um faça o que quiser com sua vida, com suas escolhas. Mas dizer que ciência está no mesmo pacote que ideologia, religião, política e time de futebol, onde cada um acha o que quiser, é estranho. Ciência é 100% independente de opinião. Se um experimento bem feito provar sua hipótese, você pode até desconfiar do resultado, mas enquanto ele não for refutado na prática, é o que vale. Especialmente quando o mesmo resultado é encontrado milhares e milhrares de vezes…

    Um dos problemas é a natureza multifatorial desse assunto – nunca se sabe exatamente o que está em jogo quando se fala de nutrição, por exemplo. Você consegue provar que o glúten cura tireoidite de Hashimoto nas pessoas (ou pelo menos em algumas delas)? Consegue provar que foi o glúten que curou A SUA tireoidite? Por que ninguém consegue mostrar um dadozinho científico comprovando isto? Seria revolucionário! Como é uma doença muito comum, este poder do glúten deveria ser até fácil de observar nas pessoas, viraria conhecimento popular em poucos anos… Imaginar que a Sanofi-Aventis (fabricante do Puran) tem a ver com isso é pura teoria da conspiração – e olha que eu sou muito crítico com a indústria, que abusa da ética e moral em muitos casos, sim.

    Obrigado pela conversa. Eu muito mais concordo com você do que discordo, só pra deixar claro! E aplaudo sua iniciativa com este blog, que dá dicas realmente interessantes. Só quis chamar sua atenção que certas afirmações são potencialmente arriscadas de se fazer, envolvem uma responsabilidade grande pois influenciam um número maior de pessoas. Abraço!

  4. Guilherme

    Gente, vcs estão trocando todas as bolas.

    Vcs estão falando de colesterol dietético, eu estou me referindo a colesterol sérico, que depende muito pouco da sua ingesta. Vcs mesmas citaram isso na sua referencia principal!

    Grande parte dos níveis de LDL e HDL sao determinados geneticamente – leiam sobre a doenças que citei acima e me digam se colesterol infarta ou não.

  5. Pingback: Estatinas: uma polêmica não noticiada | Portal Estar Bem

  6. Denis Zanotto

    Finalmente esse mito começa a cair por terra, ainda é muito comum ver pessoal e o pior: PROFISSIONAIS DE SAÚDE que defendem a redução do colesterol.

    O carboidrato, durante toda a evolução humana foi o macronutriente mais escasso, sendo que a principal fonte de nutrientes vinha da proteína e da gordura. Eis que surge a agricultura e essa ordem é radicalmente invertida, nunca se consumiu tanto carbo na história da humanidade e tem gente que insiste em culpar a GORDURA??? Que piada!

    Parabéns pelo artigo!!

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