Saúde e longevidade: genética ou serenidade?

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Qual o segredo da longevidade? Por que uns vivem tanto e outro adoecem tão cedo? A religião nos diria que é a vontade de Deus, ou o carma. É muito comum também a associação de problemas graves de saúde com predisposição genética. Mas será que não podemos cultivar atitudes físicas e mentais que colaborem para prolongar nossa vida na terra com qualidade? A genética há tempos perdeu seu posto de soberana no desenvolvimento de doenças, cujo estilo de vida – escolha de pensamentos, prática de exercício e boa alimentação – influencia muito mais.

Estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado em 2008 identificou que condições sociais e econômicas inadequadas e injustas matam mais que predisposições genéticas. Uma pesquisa liderada por Derk-Jan Dijk, da Universidade de Surrey, do Reino Unido, concluiu que dormir pouco pode alterar de forma maléfica os genes. Logo, pode-se entender que a genética não determina tanto nosso destino, e mais, é possível alterar os genes com nosso comportamento.

O físico quântico Amit Gowsani, autor de diversos livros de sucesso sobre o tema, como “A física da alma” e “O médico quântico”, há tempos defende que nossos pensamentos e emoções interferem na saúde das nossas células (leia aqui a matéria “Como pensamentos se tornam vícios químicos“). Seria este o segredo do mestre taoista Li Ching-Yun?

Uma nota de falecimento datada de 1933, no jornal The Time, afirma que Li Ching-Yun morreu aos 197 anos. Outros documentos afirmam que o mestre atingiu os 250 anos. Há polêmica entorno da sua idade, mas relatos garantem que o governo chinês confirma que ele nasceu em 1677 e morreu na década de 1930.

Um artigo da Time Magazine publicou a resposta de Li Ching-Yun para viver tanto e bem: manter o coração calmo, sentar como uma tartaruga, andar vigorosamente como um pombo e dormir como um cão. Ainda de acordo com a mesma revista, o professor Wu Chung-chieh, diretor do Departamento de Educação da Universidade de Chengtu, encontrou registros do Governo Imperial Chinês datados de 1827 congratulando Li Ching Yuen por seu aniversário de 150 anos. Peter Kelder, autor do livro “Ancient Secrets of Youth” conta que com 130 anos o Mestre Li encontrou nas montanhas um eremita de idade ainda maior que lhe ensinou o “Pa-Kua”, conjunto de práticas que incluíam treinamentos de respiração, movimentos coordenados com sons, e recomendações sobre a alimentação e o uso de ervas medicinais. Segundo Da Liu, discípulo de Ching Yuen, o mestre atribuía sua longevidade ao fato de ter realizado estes exercícios regularmente todos os dias, por 120 anos.

No final de 2012 Dona Canô, emblemática personalidade do recôncavo baiano, mãe dos cantores Maria Bethânia e Caetano Veloso, morreu aos 105 anos e contava que o segredo da longevidade era a paciência, “porque a pessoa impaciente e nervosa, que briga por tudo, não pode viver bem”, dizia. Também em 2012 morreu uma das mulheres mais velhas do mundo, Besse Cooper. A senhora afirmava que só se preocupava com sua própria vida e não comia besteira e por isso atingiu a marca dos 116 anos.

O que há em comum entre Li Ching Yuen, Dona Cano, Besse Cooper? Qual lição é possível tirar das histórias destas personalidades? A tranquilidade no viver parece ser a premissa básica para ter saúde. Alimentos produzem reações orgânicas que podem influenciar no nosso estado de espírito, nos deixando deprimidos, ou nos dando energia. Logo escolhas saudáveis para as refeições também são responsáveis pelo nosso estado de espírito. Será então mesmo que existe um segredo? Viver muito e bem parece depender muito mais das nossas escolhas. Pense nisso.

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