O fantástico mundo da desilusão

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Uma das coisas mais fantásticas que o Yoga proporciona para o estudante é a capacidade de desenvolver autoanálise. Praticar yoga é viver em observância de si próprio, o tempo todo. Não é ficar tenso ou retraído todas as horas do dia, mas é ter a honestidade de quando entrar em conflito com qualquer situação, questionar-se honestamente.

Existe no Yoga uma espécie de caminho filosófico a ser percorrido que ajuda a nos libertar de nossas amarras e que sugere diversas etapas. Uma delas é chamada de Vichara, que pode ser entendida como questionamento. O mestre Hermógenes, no seu livro “Yoga para nervosos” fala sobre Vichara. E é nessa parte que ele diz:

“É preciso serena coragem e perfeita isenção para conseguir tirar proveito da desilusão, que permite-lhe conhecer-se.”

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Praticar esse preceito é ficar atento também ao processo de racionalização. O que é isso? É aquele método de formar uma lógica para justificar nossas ações. Hermógenes é categórico quanto a isso. Ele afirma que Vichara é o oposto da racionalização, é olhar-se com isenção e sinceridade.

Levando este conceito para o dia a dia, podemos perceber que fazemos esse processo de racionalizar nossas atitudes o tempo todo. É quando comemos aquela besteira e dizemos pra nós mesmos que temos esse direito, porque estamos trabalhando muito, ou porque não encontramos nada mais saudável para comprar. É quando mentimos e justificamos internamente que é por uma boa causa, ou para evitar uma briga, ou levamos uma vida sedentária porque estamos sem tempo ou cansados demais para isso.

O que não fazemos correto por falta de conhecimento ou ignorância tem perdão. Mas existem situações em que o correto não é relativo. Sabemos quase sempre o que é certo, e se não fazemos é por negligência. Desiludir-se é uma das chaves para a libertação. Coragem de olhar para si com sinceridade é um dos caminhos para a benção da desilusão.

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