Alimentação viva: Juliana Malhardes conta como a prática mudou sua vida e sua saúde

Juliana Malhardes: de advogada a educadora em alimentação vivaJuliana Malhardes: de advogada a educadora em alimentação viva
Juliana Malhardes: de advogada a educadora em alimentação viva

Juliana Malhardes: de advogada a educadora em alimentação viva

Ela tinha uma rotina de advogada estressada, absolutamente convencional, sedentária, cheia de cosméticos, chocolatinhos e remedinhos na bolsa. Até que adoeceu. Foi quando Juliana Malhardes percebeu que suas escolhas mais simples estavam levando embora sua saúde. Por recomendações médicas, ela foi buscar um estilo de vida mais saudável e descobriu na culinária viva a fórmula que precisava para restabelecer sua saúde. Juliana também redescobriu o prazer de comer, que havia se perdido em meio a uma intensa alergia alimentar que a impedia de saborear muitos alimentos.  “Com o limão que a vida me ofereceu fiz a limonada mais gostosa que pude preparar”, conta a ex-advogada sobre ter usado as alergias como aliada na reeducação alimentar. Hoje ela é formada como Educadora em Alimentação Viva pelo Terrapia, uma associação ligada à Fiocruz. Juliana Malhardes conversou com o Estar Bem sobre seu trabalho. Confira a entrevista.

Estar Bem (EB) – O que são alimentos vivos? 

Juliana Malhardes (JM) – São as sementes germinadas, brotos e vegetais crus, livres de cozimento. Por isso são ricos em vitalidade e enzimas digestivas.

EB – Por que uma pessoa deveria preferir os alimentos vivos aos cozidos? 

JM – Gosto de responder essa pergunta com a seguinte pergunta: por que fervemos a água?. Para matar o máximo de bactérias e micro-organismos possível, não é mesmo? Quando cozinhamos os alimentos, o calor também compromete a vida, as bactérias benéficas e as enzimas digestivas que são importantes facilitadoras da digestão pelo corpo.

Nos alimentos a maior concentração de vitalidade está nas sementes germinadas, brotos e vegetais crus, que são os alimentos biogênicos e bioativos, alimentos que geram e que ativam a vida no corpo. A vida presentes nos micro-organismos vivos facilita o processo natural de desintoxicação pelo corpo. Algumas toxinas não podem ser evitadas como poluições invisíveis, eletromagnéticas e afins, assim como as contaminações via “pensamentos ruins” e stress, mas nos alimentos podemos escolher evitar os alimentos ricos em toxinas, como por exemplo, as geradas pelo cozimento dos alimentos.

Dessas escolhas irá depender a saúde, sobretudo do intestino, cujo bom estado depende a absorção dos nutrientes que ingerimos. Para tanto é preciso nutri-lo com alimentos ricos em bactérias biogênicas e enzimas digestivas, ou seja, sementes germinadas, brotos de cultivo caseiro, vegetais crus e alimentos vegetais fermentados.

Com o cozimento e a desestruturação dos alimentos, o corpo é obrigado a despender muita energia “numa faxina sem fim”, pegando toxinas e colocando para fora, sem dar conta de uma boa eliminação. Como resultado há um congestionamento nos órgãos, esse desgaste aparece em forma de doenças que são sinais de que é preciso escolher outra direção.

O pensamento que norteia a prática da alimentação viva é auxiliar na organização da vida no corpo, cujo processo natural de desintoxicação é facilitado através da ingestão de alimentos ricos em vitalidade, gerando benefícios que variam de uma pessoa para outra, mas que naturalmente irão se manifestar em forma de bem estar, entusiasmo de viver e vitalidade para lidar com o dia a dia.

EB – Há como combinar a necessidade de praticidade do dia a dia com a alimentação viva? 

JM – Como mais vitalidade e disposição, ficamos mais ágeis e criativos para nos organizar com a alimentação viva, conforme a realidade de cada um. O mais importante é o “querer”, o fazer vem a partir da motivação verdadeira de se organizar. Conheço praticantes que tem vida de executivos, com viagens de trabalho toda semana, muitas vezes para outros países, e que se organizaram de tal forma que a comida é parte da rotina. Pode ser trabalhoso, mas os praticantes afirmam que os esforços são recompensados pelos benefícios gerados à saúde.

EB – Para quem se interessou pelo assunto, você poderia dar dicas de por onde começar a adotar mudanças na alimentação para introduzir a culinária viva na rotina.

JM – Sugiro que comece por sucos, cremes de frutas e que fundamentalmente germinem sementes, cultivem brotos em casa e que façam essa introdução gradual em todas as suas refeições, diariamente.

EB – É possível notar mudanças reais na saúde com a opção pelos alimentos vivos?

JM – Sim, com uma semana os resultados são claros: melhor sono, bem estar, entusiasmo de viver, humor mais constante, mais disposição física, melhora no trato intestinal, mente mais serena, mais tranquilidade, menos agressividade, entre outros.

EB – E o sabor do alimento, muda muito? É preciso readaptar o paladar para que a comida viva seja apetitosa ou é apenas a forma como se prepara o prato?

JM – Há uma adaptação ao novo paladar, mas sem dúvida a culinária viva que apresento é muito atraente mesmo para pessoas que não tem o habito de consumir vegetais crus.

EB – Existe na culinária viva algum tipo de filosofia que engloba conceitos além da simples nutrição fisiológica no ato de alimentar-se? 

JM – Uma postura mais ecológica, onde o respeito com a vida como um todo começa pela regeneração da vida dentro de nós, nesse movimento a promoção da saúde é nossa principal contribuição ambiental.

EB – A comida exerce um forte papel social de reunir pessoas. Conte para nossos leitores como você faz quando vai a reuniões entre amigos. Não come ou abre exceção? 

JM – Não faltam festas! E são lindas, especialmente agradáveis. E o melhor é que o bem estar se estende para o dia seguinte, diferente do habito cultural que cultivamos de comer e sofrer depois, já indo para o evento com o medicamento na bolsa. As festas vivas promovem bem estar integral. Temos que abrir a vida para novas amizades, mas isso é um precioso ganho, pois passamos a nos relacionar mais de perto com pessoas que tem interesse em viver com qualidade, esse convívio gera benefícios que só podemos compreender vivendo.

Com saúde e com afeto

“Na minha pesquisa descobri que de nada adiantaria toda essa compreensão sobre saúde e culinária viva sem atender aos afetos, que estão relacionados ao amor que recebemos junto com os alimentos ao longo da vida. Recebemos amor através dos alimentos, seja num bolinho, um pãozinho, um leitinho. Pensar em deixar de comer essa ou aquela comida tem o peso de deixar de se conectar com esse carinho. Para isso é interessante desenvolver habilidades na culinária viva, pois através dela damos às sementes germinadas e vegetais crus, as formas, texturas, cores e aromas que nos remetem aos da comida caseira que conhecemos. Com isso temos uma alimentação “afetivamente completa”. Além de podemos comer de tudo: pães, doces, pizzas e até chocolate, numa versão que promove a saúde e a beleza da vida no corpo, nas ideias e no sorriso!”

Receita:

Creme de banana com mamão, cacau, girassol descascado e chia germinados

Ingredientes:
½ xícara de sementes de girassol descascado germinado
2 colheres de sopa de chia
3 bananas
3 xicaras de mamão picado
2 colheres de cacau cru nibs (opcional)
1 colher de sopa de óleo de coco (opcional)
1 colher de sopa de canela em pó

Preparo:

Germine as sementes de chia e girassol, cada uma num recipiente, deixando de molho por uma noite (8 a 12 horas), pela manhã, lave as sementes numa peneira. Liquidifique todos os ingredientes, exceto o óleo de coco que deve ser acrescentado quando o creme estiver pronto.

2 Comments

  1. Pingback: Feira gastronômica terá palestra sobre culinária viva | Estar Bem

  2. O doce da banana nunca pode ser misturado com o óleo que o caso do coco e da chia só se mistura com frutas acidas ou simiacídas. Mesmo na escola aprendemos isso e quem estuda os alimentos sabe a reacção que isso produz no organismo.
    não somos nôs que fazemos essa junção o organismo têm esse poder.
    Adorei a sua explanação porque também faço.

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