Por que ainda se consome aspartame?

Aspartame

Apesar de estudos que comprovam os riscos de uso de adoçantes, a polêmica ainda é grande. Cafés, bares e restaurantes sinalizam o quanto ainda é desconhecida a relação entre câncer e aspartame, visto que muitos estabelecimentos o oferecem como alternativa ao açúcar. Não é de se espantar também que muitas pessoas ainda comprem o adoçante para uso próprio em casa. Talvez a falta de conhecimento em relação aos males que causam o aspartame se deve a pouca divulgação de pesquisas que comprovaram seus riscos. Em 2006 um pesquisador de câncer, o médico italiano Morando Soffritti, da Fundação Européia Ramazzini, comprovou cientificamente a relação direta entre câncer e o uso de aspartame, porém a descoberta foi pouco repercutida (e logo esquecida) aqui no Brasil.

Aspartame

O estudo, liderado por Soffritti, durou sete anos e submeteu 1,9 mil ratos de laboratórios a doses diárias de aspartame. O resultado foi a associação direta entre o consumo do adoçante artificial ao aparecimento, principalmente, de linfomas, leucemias e outros cânceres. O dado mais alarmante da pesquisa é que o aspartame se mostrou ser um agente cancerígeno mesmo em pequenas doses diárias, como a de 20 mg por kg, muito inferior às doses consumidas pelas pessoas na Europa, de 40 mg por kg, e nos Estados Unidos, de 50 mg por kg.

Mesmo assim, na época da publicação do estudo, o Food and Drug Administration (FDA), que cuida da regulamentação de alimentos e drogas nos Estados Unidos, e seu similar europeu, o European Food Safety Authority, correram para desviar o foco do estudo e declararam que, apesar das conclusões da equipe de Soffritti, não havia nenhuma razão para as pessoas evitarem o uso de aspartame.

A colunista sobre alimentos e saúde do New York Times, Melanie Warner explicou, em artigo publicado na época da divulgação do estudo, que as restrições sobre o aspartame causariam um custo significativo para a indústria, pois, segundo a escritora, o consumo do adoçante movimenta milhares de dólares por ano.

Não é preciso ser um economista para notar que uma ação no sentido de regulamentar seu uso causaria um caos na indústria de alimentos, pois incidiria também nos mais diversos produtos que contém o adoçante em questão e que até hoje são muito consumidos aqui mesmo no Brasil, como diversos tipos de bebidas diet, inclusive os famosos refrigerantes “zero”.

O aspartame foi introduzido na alimentação em 1974, quando o FDA aprovou seu uso, embora tenha listado cerca de 90 efeitos colaterais possíveis com seu consumo, entre eles perda de memória, danos célula nervosa, inchaço, distúrbios do sistema nervoso e dor nas articulações.

Inicialmente, na década de 80 sob, a patente do aspartame estava sob os cuidados da Monsanto, que mais tarde vendeu. A empresa Ajinomoto já lucrou com a patente do adoçante que hoje expirou e é alvo de disputas entre gigantes do ramo. Por ter perdido a patente, a grosso modo o aspartame “não tem dono” e hoje é encontrado em milhares de produtos..

 

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