Um recado aos pais

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Quando lembro da minha infância e adolescência e das longas manhãs na escola, me estarrece não o fato de ter sido feliz sem saber (ah, a leveza dos compromissos daquela época…), mas sim de lembrar o que eu lanchava na escola! Meu Deus! Eu  “botava para dentro”, justamente no período em que o organismo ainda está despertando, farinha branca, açúcar refinado, gordura vegetal em forma de salgados, balas e refrigerantes que lotavam as prateleiras da cantina do colégio. Mas a culpa dos péssimos hábitos não foi apenas da má orientação nutricional da lanchonete escolar. Minha mãe com muita boa intenção abastecia minha lancheira de suquinho (artificial), pãozinho (branco) e uma bolachinha (com açúcar refinado).  Naquela época a informação não existia. As propagandas convenciam os pais e o erro pela ignorância não é erro e tem perdão. Mas hoje me assusta ver que esse cenário se repete. Hoje com tanta informação disponível gratuitamente na internet, as crianças continuam a comer deliberadamente esses lanches venenosos na hora do recreio.

Pais, por favor, entendam que o ato de alimentar seus filhos precisa ser especialmente cuidado, planejado e com muito carinho. Comer é uma das relações mais íntimas que estabelecemos com nosso corpo. Escolhemos e ingerimos o alimento que passa a fazer parte do nosso organismo, em forma de energia, ou não. Pode se transformar em doença também. No caso das crianças, são os pais que por algum tempo exercem poder soberano sobre essa íntima relação entre a comida e o corpo, escolhendo os alimentos que vão nutrir seus filhos. Lembrem-se que o alimento cria laços emocionais na mente da criança e que não é positivo fincar esses laços na alegria da Coca-Cola permitida no fim de semana, ou na sobremesa cheia de açúcar refinado como recompensa por uma refeição feita adequadamente. Nao construa na cabeça do seu filho a relação entre prazer, felicidade e relaxamento e alimentos que causam doenças.

Se pensarmos bem, pode estar aí a origem da nossa própria dificuldade de seguir à risca a alimentação que julgamos ideal. Às vezes passamos a semana toda comendo conforme manda o script saudável, mas aí chega sexta-feira e nos envenenamos com carboidratos vazios e gorduras maléficas com base no discurso: “trabalhei muito esses dias, eu mereço um docinho!!” Não, você merece saúde! E certamente a sensação de prazer vai além do processo químico do metabolismo do açúcar no corpo e tem origem naquele laço emocional que nossos pais, sem informação,  criaram entre a gente e o inofensivo docinho, que frustra nossos planos de se alimentar corretamente. Você deseja que seu filho passe pela mesma tentação e frustração, que ele associe prazer e relaxamento a um alimento que faz mal para ele? Acredito que não.

Existem diversas linhas de nutrição que pregam diferentes formas de se alimentar. A higienista por exemplo, prega que pela manhã o ideal é jejuar para favorecer a eliminação das toxinas liberadas pelo trabalho feito pelo organismo durante a noite, consumindo no máximo sucos de frutas. Há outras correntes que pregam uma refeição reforçada, com proteína, carboidratos ricos em nutrientes como as raízes. Mas há algo em comum entre todas essas correntes: não consumir porcarias! Esqueça esse papo de que mesmo que você não dê refrigerante, o amiguinho da escola vai dar. Ensine ao seu filho recusar. Vire o jogo e quem vai se constranger será a mãe da criança que permite o consumo de refrigerante e biscoito recheado a qualquer hora do dia.

Saúde!

Daniele Barbosa – editora do Portal Estar Bem
daniele.barbosa@gmail.com

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