Feira no Rio mostra crescimento do interesse por produtos sem glúten no país

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Dados do Ministério da Saúde afirmam que hoje, no Brasil, há cerca de 1 milhão de celíacos, pessoas que não podem consumir alimentos com glúten. A nutricionista e organizadora do “Congresso Internacional Nutrição Especializada e Expo Sem Glúten”, que aconteceu entre 25 e 27 de abril no Rio, Noadia Lobão contou ao Estar Bem que deve haver no mundo, em média, 14 milhões de pessoas intolerantes ao glúten. Com tantos problemas relacionados à principal proteína do trigo sendo diagnosticados nos consultórios médicos, o aumento da procura por produtos sem glúten e palestras sobre o tema fez crescer também o número de inscritos no congresso. Em 2013 o evento recebeu cerca de 500 inscrições para palestras, três vezes mais que a primeira edição do congresso em 2012, sem contabilizar os visitantes da feira aberta ao público em geral.

“A farinha de trigo de hoje não e a mesma dos nossos avós. Ela recebe uma adição de glúten para dar maior elasticidade a massa e maior durabilidade nas prateleiras dos mercados. O problema hoje está no excesso do consumo”, afirma Noádia que conta ter percebido a necessidade de dar suporte ao crescente número de pessoas que a procuravam, não necessariamente com a doença celíaca, mas com sensibilidade ao glúten.

A procura pela dieta fez também crescer no mercado um nicho ainda pouco explorado. Francisco de Assis Martins, um dos expositores e responsável pela marca “Chico Gerais” não era do ramo, mas após a dica de uma amiga viu seu negócio expandir com a fabricação de produtos feitos apenas com mandioca e livres de glúten.

“Uma amiga do Rio, há 10 anos me ouviu reclamando da vida. Então me aconselhou a fabricar produtos sem glúten. Comecei a trabalhar com mandioca e hoje estou colhendo bons frutos”, comemora o empresário.

A nutricionista Luciene Belzunces, sócia e fundadora da marca Beladri participou da feira e contou que desde que o exame para detectar alergia ao glúten passou a ser feito pelo SUS viu seu público consumidor aumentar. Hoje a Beladri expandiu sua distribuição. Além de Curitiba e São Paulo, lojas de produtos naturais do Rio já vendem os biscoitos, farinhas para bolos, pães e salgados da marca. Luciene conta que no início não acreditava muito nos perigos do glúten. Foi um trabalho de conclusão de curso da faculdade que mostrou a demanda pela fabricação de alimentos para celíacos.

O chefe de cozinha Joaquim Paes Leme está há um ano no mercado com a linha de produtos a base de milho da marca “Juca Fubá” e garante que o negócio já deu certo. A família de Niterói está toda envolvida no negócio. O pai de Joaquim vestiu a camisa da causa e retirou o glúten também do seu cardápio. “Não sinto mais azia”, contou João Paes Leme.

Nos corredores da feira, atenta às novidades, o Estar Bem encontrou a confeiteira Carol Carpintero. Prestando atenção à explicação de Claudio Martinelli sobre as verdades do óleo de coco, responsável pela marca Dr. Orgânico, Carol procurava uma gordura mais saudável para a fabricação dos seus bolos feitos com farinha de feijão e araruta. Ela contou que sempre fez bolos com farinha de trigo, mas que certa vez presenteou uma amiga celíaca com um bolo sem glúten.

“Na hora de cantar parabéns, ao cortar o bolo, ela chorou”, revelou Carol que desde então decidiu que faria apenas bolos sem glúten, sensibilizada pela emoção da amiga que não cortava um bolo de aniversário há anos.

Os números são impressionantes. Cerca de 75% dos americanos que sofrem de doença celíaca não sabem que tem a alergia ao glúten, proteína principal do trigo. Esse dado foi levantado por um estudo feito nos EUA, pela Clínica Mayo, e publicado em 2012 no “The American Journal of Gastroenterology”. O epidemiologista Peter Byass descobriu em 2011 que 42 mil crianças morrem por ano no mundo por causa da doença celíaca não diagnosticada.

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