Menos iodo no sal pode causar deficiência, diz médica

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A medida que diminui a quantidade de iodo adicionada ao sal não é unanimidade entre os médicos. Claudia Chang, doutoranda em Endocrinologia e Metabologia pela USP explica que os últimos estudos mostram evidencias de que haveria  excesso de excreção de iodo na urina. A médica explica que o problema é que a proposta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prevê a redução da suplementação atual de 20 a 60 microgramas para  15 a 45 microgramas de iodo por quilo de sal, quantidade menor que o limite inferior preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS propõe um mínimo de 20 e um máximo de 40 microgramas por quilo de sal.

“Embora o excesso do iodo possa ser prejudicial e desencadear disfunção no funcionamento da tireoide, a falta da substância causaria danos ainda maiores, como era visto no passado em regiões carentes com quadros de hipotiroidismo graves. Há necessidade de campanhas de redução do consumo de sal, pois a população brasileira consome, em media, o dobro da quantidade de sal recomendado pela OMS”, explica.

Claudia Chang

Claudia Chang

O iodo é adicionado ao sal de cozinha no Brasil desde 1953 como medida de erradicação do bócio endêmico. Tal medida é defendida em todo mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das mais eficazes para combater o retardo mental endêmico causado pela falta de iodo intrauterina.

Porém os altos níveis de consumo do iodo, uma substancia benéfica para o organismo, não pode ser considerado de forma isolada, pois uma das maiores fontes da substancia é o sal. Segundo o Ministério da Saúde, o brasileiro consome em média 12 gramas de sal por dia — uma das maiores taxas do mundo. Esse dado alarmante pode ser entendido com o resultado de outra pesquisa, feita em 2011 com cerca de 5 mil pessoas em todo o Brasil. O estudo “Fast-Food no Brasil”, desenvolvido pela Shopper Experience detectou que 74% dos entrevistados preferem fast food à restaurantes tradicionais. Sanduíches, pizzas, batata frita, refrigerantes são as maiores fontes de sódio atualmente.

A Anvisa afirma que a medida visa adequar a quantidade de consumo de iodo às normas da OMS. Não seria mais eficiente e saudável o investimento em campanhas para redução do consumo de sal, que em contrapartida aos benefícios do iodo, está relacionado a problemas do coração, hipertensão, entre outros?

O prefeito de Nova York em 2011 decidiu fazer diferente para solucionar o problema. Michael Bloomberg lançou a “Iniciativa Nacional para a Redução do Sal”, da qual participaram também outras cidades, para cortar em 25% quantidade do produto usada na comida industrializada e nos restaurantes e lanchonetes até 2014. A Associação de Restaurantes de Nova York e empresas como a PepsiCo – que, além de refrigerantes, produz salgadinhos – apoiaram a ideia. Outras, como a Campbell Soup Company, que fabrica sopas em lata, afirmaram que reduzirão o sal aos poucos, em sintonia com o mercado.

Entenda a proposta

A Anvisa determinou no último dia 16 que o sal produzido no Brasil tenha adição mínima de 15 e uma máxima de 45 miligramas de iodo por quilo de sal. Antes, o país adotava a adição entre 20 e 60 miligramas por quilo.

De acordo com dados da Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, o iodo é um micronutriente essencial para o homem e outros animais. No organismo humano, é utilizado na síntese dos hormônios produzidos pela tireoide, sendo muito importante para o funcionamento de vários órgãos como coração, fígado, rins, ovários e outros.

Os riscos da falta de iodo

Os distúrbios por deficiência de iodo (DDI) são fenômenos naturais e permanentes amplamente distribuídos em várias regiões do mundo. Populações que vivem em áreas deficientes em iodo sempre terão o risco de apresentar os distúrbios causados por esta deficiência, cujo impacto sobre os níveis de desenvolvimento humano, social e econômico são muito graves.

A deficiência de iodo pode causar cretinismo em crianças (retardo mental grave e irreversível), surdo-mudez, anomalias congênitas, bem como a manifestação clínica mais visível – bócio (crescimento da glândula tireóide). Além disso, a má nutrição de iodo está relacionada com altas taxas de nascimento de bebês mortos e de crianças com baixo peso, problemas no período gestacional, e aumento do risco de abortos e mortalidade materna.

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, entre as causas mais comuns dos distúrbios por deficiência de iodo está o uso de sal não iodado, além do consumo de alimentos oriundos de solos pobres em iodo e baixo consumo de alimentos ricos em iodo.

Alimentos ricos em iodo

Os principais alimentos ricos em iodo são os de origem marinha (ostras, moluscos, mariscos e peixes de água salgada); leite e ovos também são fontes de iodo, desde que oriundos de animais que tenham pastado em solos ricos em iodo ou que foram alimentados com rações que continham o nutriente; vegetais oriundos de solos ricos em iodo também são boas fontes.

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Orientações para o uso do sal iodado segundo o Ministério da Saúde

– ao comprar o sal, observe no rótulo se ele é iodado;

– se você faz tempero caseiro ou tempero completo em casa, USE SEMPRE O SAL IODADO na mistura. Faça em pequenas quantidades e não guarde na geladeira;

– se você compra tempero completo, PROCURE VARIAR usando também o sal iodado. Não há garantia de que a fábrica usou o sal iodado para fazer este tempero;

– ao comprar o sal iodado, prefira aquele com maior prazo de validade, pois caso esteja vencido, ocorre prejuízo da qualidade do iodo;

– ao armazenar o sal iodado em casa, coloque-o sempre em local fresco e ventilado, longe do calor. Evite colocá-lo perto do fogão a gás ou a lenha, pois o calor pode prejudicar a qualidade do iodo;

-ao abrir o saco do sal iodado, não retire o sal desta embalagem, mas sim o coloque dentro de um pote ou vidro com tampa, mantendo-o sempre fechado;

– não coloque o pote de sal iodado na geladeira;

– mantenha o sal iodado longe de locais úmidos e não coloque colheres molhadas dentro da embalagem. A umidade pode prejudicar o teor do iodo.

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