Alimento funcional: fique de olho nos ingredientes para não se enganar

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Daniele Barbosa

Atenta à preocupação dos consumidores com a saúde, a indústria alimentar investe pesado no mercado da nutrição funcional. Mas será que devemos acreditar nas promessas milagrosas, como um intestino funcionando melhor se consumirmos um mesmo produto todos os dias? Segundo Noadia Lobão, especialista em nutrição funcional e nutrição clínica pela Associação Brasileira de Nutrição (Asban) devemos ficar de olho nos ingredientes dos produtos que enchem as prateleiras dos mercados. Mesmo que o alimento possua componentes benéficos, se a sua composição contemplar o açúcar refinado, conservantes, corantes e outras substâncias que podem fazer mal ao organismo, ele não ocupa mais a categoria de funcional. Noadia conversou com o Estar Bem sobre o assunto. Confira a entrevista.

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Noadia Lobão

Estar Bem – O que é a nutrição funcional?

Noadia Lobão – A Nutrição Funcional é a ciência de prescrever alimentos de acordo com a individualidade bioquímica do paciente.

EB – Quais alimentos podem ser chamados de funcionais?

NL – Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), alimentos funcionais são aqueles que produzem efeitos metabólicos ou fisiológicos através da atuação de um nutriente ou não nutriente no crescimento, desenvolvimento, manutenção e em outras funções normais do organismo humano.

EB – As prateleiras dos mercados estão lotadas de produtos industrializados chamados de funcionais. Um produto, lácteo, por exemplo, que contém açúcar, adoçantes e conservantes pode ser considerado funcional?

NL – Não. Mesmo que o produto possua algum nutriente importante, os danos que pode causar à saúde o desqualificam como alimento funcional.

EB – O que o consumidor precisa saber para não se enganar e comprar um produto verdadeiramente funcional?

NL – Os verdadeiros alimentos funcionais, são, via de regra, naturais. Entretanto existem produtos industrializados que podem ser considerados funcionais, como por exemplo, o óleo de peixe, fonte de ômega 3.

EB – Algumas marcas prometem verdadeiros milagres com o consumo de seus produtos funcionais. Consumir uma mesma marca de iogurte diariamente pode realmente fazer um intestino preso funcionar melhor?

NL – Sob o ponto de vista da nutrição funcional as coisas não funcionam assim. Considerando a individualidade bioquímica, o problema do intestino pode estar relacionado com sensibilidades alimentares, e as proteínas do leite, que estão presentes no iogurte, podem ser justamente a causa da constipação.

EB – A tão famosa frase de Hipócrates que diz: “Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio” pode ser interpretada de maneira a entender que nossa alimentação deva promover primordialmente saúde. Uma alimentação correta por si só já não é funcional então?

NL – Não necessariamente, já que não está sendo levada em conta a individualidade bioquímica. Por isso é muito difícil, sem auxilio profissional, conseguir uma alimentação verdadeiramente correta para aquele individuo.

EB – Qual a diferença entre a nutrição funcional e a nutrição “tradicional”?

NL – A nutrição funcional, através de exames e anaminese, busca atender a individualidade bioquímica, enquanto que a nutrição tradicional busca atender as necessidades de macronutrientes e micronutrientes.

EB – Uma dieta orientada pela alimentação funcional pode reduzir a necessidade de remédios ou curar doenças?

NL – Segundo o pesquisador Roberfroid, os alimentos funcionais podem reduzir o risco de uma doença. Em certos casos, alimentos funcionais podem contribuir para o tratamento de uma patologia. Podemos citar como exemplo: as fibras solúveis podem colaborar para o controle do diabetes. Estudos epidemiológicos correlacionam a maior ingestão de fibra alimentar com a menor incidência de várias doenças, como câncer de cólon e de reto, câncer de mama, diabetes, aterosclerose, apendicite, doença de Crohn, síndrome de cólon irritado, hemorroidas e doença diverticular.

A literatura científica descreve alguns efeitos fisiológicos importantes para os ácidos graxos ω-3: efeito hipolipidêmico, com redução dos níveis sanguíneos de triacilgliceróis, de colesterol e LDL-colesterol; efeito antitrombótico, efeito hipotensivo, efeito antiateroma pela redução na formação dos trombos; diminuição das arritmias cardíacas; efeito antiinflamatório, pela diminuição da produção do leucotrieno LTB4, que é um pró-inflamatório; melhora da colite ulcerativa e das desordens cutâneas (psoríases) e pode influenciar a expressão gênica e, desta forma, modular o desenvolvimento de tumores

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