Mutação genética corresponde apenas a 10% dos casos de câncer de mama no mundo

Mutação genética de Angelina Jolie corresponde apenas a 10% do casos de câncer de mama no mundoMutação genética de Angelina Jolie corresponde apenas a 10% do casos de câncer de mama no mundo

Após Angelina Jolie tornar pública sua decisão de retirar as duas mamas para evitar o desenvolvimento do câncer, o assunto foi parar nos principais noticiários do mundo. É importante ressaltar que a atriz possui uma mutação do gene BRCA1, que eleva para 87% o risco de desenvolver a doença. Porém, o caso Angelina Jolie não é o da maioria das mulheres. De e acordo com estudo da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o câncer de mama hereditário corresponde apenas de 5% a 10% do total dos cânceres de mama existentes. Ou seja, cerca de 90% dos cânceres aparecem aleatoriamente. A médica Cristiane Nimir, especialista em Anatomia Patológica e responsável pelo setor de Mastologia da Diagnóstika, contou ao Estar Bem que a mutação do BRCA1 aumenta também o risco de câncer no ovário, na tuba uterina, endométrio, cólon, próstata e pâncreas. Confira abaixo a entrevista.

Estar Bem – O que é o gene BRCA1 e o BRCA2? 

Cristiane Nimir – BRCA1 é um gene que todos possuímos, homens e mulheres. Ainda não se tem certeza de qual exatamente é a sua função, mas sabemos que está ligado ao sistema de reparo de danos do DNA, durante o ciclo celular. Ou seja, no processo de divisão celular, se há algum erro na formação do “novo DNA”, o sistema de reparo entra em ação consertando o erro.

Pacientes mulheres e homens com alteração ou mutação no gene BRCA1 têm maior predisposição ao câncer de mama e ovário, principalmente, mas também tuba uterina, endométrio, cólon, próstata e pâncreas.

Vale lembrar que as mutações genéticas dos genes BRCA1 e também do BRCA2 são responsáveis por casos que câncer familiar em que várias gerações ou varias pessoas da mesma família têm câncer. E, uma das características do câncer familiar é ser mais comum em pacientes jovens e, no caso das mulheres, ainda não menopausadas.

EB – A mulher que possui a mutação no gene vai ter o câncer de mama?

CN – Pacientes que possuem a mutação genética do BRCA1 têm, em geral, o risco aumentado para câncer de mama em 80%. Na população sem a mutação, este risco é de 10-12%. Portanto, os pacientes portadores da mutação têm risco aumentado, mas não necessariamente desenvolverão a doença.

EB – Tirar a mama pode ter o fator estético contornado com a implantação de próteses de silicone, mas e fisiologicamente, não ter as mamas pode ter outros efeitos na saúde da mulher?  

CN – Fisiologicamente não há efeito para as pacientes ficarem sem as mamas. É necessário, porém, acompanhamento quanto à autoestima destas pacientes. Diferentemente da retirada dos ovários, que também é indicada nas pacientes com esta mutação, em que a paciente desenvolveria menopausa precoce ao perder a sua “fábrica” de hormônios.

EB – Quais medidas preventivas menos invasivas que a retirada das mamas a mulher que possui a mutação no gene pode tomar?

CN – A medida mais eficaz para pacientes com esta mutação, infelizmente, é mesmo a cirurgia (mastectomia, adenectomia e ooforectomia). No entanto, como a característica do câncer familiar é acometer principalmente pacientes jovens, a decisão da cirurgia é tomada para mulheres que já tiveram seus filhos e os amamentaram. Até lá, elas devem ser acompanhadas de perto, com exames de imagem frequentes.

O que se pode fazer, para retardar talvez a cirurgia, seja o uso de medicamentos bloqueadores dos hormônios femininos (estrógeno e progesterona) que podem reduzir o risco pela metade. Mas podem reduzir, isso não quer dizer que o façam.

EB – Quais as vantagens da cirurgia?

CN – A maior vantagem da cirurgia é a diminuição do risco do desenvolvimento do câncer de mama ou ovário em quase 100%.

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