O álcool e o anticoncepcional como fatores de risco para o câncer de mama

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A decisão da atriz Agelina Jolie de retirar os seios de forma preventiva colocou em foco a discussão sobre os riscos de se desenvolver o câncer de mama. Mas sabe-se que, do total de casos da doença no mundo, apenas 10% são de origem genética, ou seja, 90% são ocasionais e não têm indicação de cirurgia preventiva para a retirada dos seios. O que, então, estaria relacionado ao aparecimento da maioria dos casos da doença? Uma pesquisa liderada por Arthur Schatzkin, cientista especialista em alimentação e câncer, da Universidade de Yale, nos EUA, descobriu, no fim da década de 80, que o consumo moderado de álcool está associado a uma elevação de 50% a 100% no risco de câncer de mama.

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No estudo de Schatzkin, cerca de 2 mil mulheres foram acompanhadas por aproximadamente 10 anos e o resultado, apesar de assustador, não ganhou muita repercussão. Arthur Schatzkin morreu em 2011 e era chefe da Nutritional Epidemiology Branch at the US National Cancer Institute (NCI), uma autoridade em investigar a relação entre alimentação e o surgimento do câncer.

Assim como o álcool, muito presente nos tempos atuais, a pílula anticoncepcional, adotada por uma grande quantidade de mulheres, também teria relação íntima com o câncer de mama. Apesar de controversa, essa relação já foi evidenciada em diversas pesquisas.

No Brasil, Débora Garcia y Narvaiza, mastologista e autora de estudo na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), verificou que as células do tecido mamário das mulheres que fizeram uso de um mesmo anticoncepcional por um mês se multiplicaram em torno de 22%. Já entre as mulheres que não fizeram uso do hormônio esse índice foi de apenas 13%. A pesquisadora explica que quanto mais as células de um tecido se multiplicam, maiores são as chances do aparecimento do câncer. A pesquisa foi divulgada em 2005.

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Um estudo da cientista Jessica Dolle, do Fred Hutchinson Cancer Research Center publicado na edição de abril de 2009 da revista “Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention”, mostra uma forte ligação entre o uso de contraceptivos orais e de uma forma particularmente agressiva de câncer de mama, com uma alta taxa de mortalidade, conhecido como câncer de mama “triplo negativo” (TNBC). A pesquisa também descobriu que a ligação foi maior entre as mulheres que começaram a usar contraceptivos orais na adolescência.

A médica Merethe Kumle, do Instituto de Medicina Comunitária em Tromso, na Noruega, possui diversas pesquisas sobre o tema. Um destes estudos, divulgado no início de 2000, verificou que o risco de câncer de mama aumentou em 26% para mulheres que usaram contraceptivo oral em qualquer fase da vida, em comparação com mulheres que nunca tinham usado a pílula.

A pesquisa analisou também as mulheres que tinham tomado a pílula durante longos períodos. Neste caso, o risco de câncer de mama aumentou em 58% em comparação com aquelas que nunca usaram. No entanto, o maior risco foi detectado nas mulheres acima de 45 anos que ainda estavam usando a pílula, com 144% a mais de chance de desenvolver a doença.

Por fim, em 2012, um estudo liderado por pesquisadores do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, em Seattle, analisou mulheres com idades entre 20 e 44 anos e confirmou a ligação entre o acetato de depo-medroxiprogesterona (DMPA), principal ingrediente do anticoncepcional injetável vendido sob o nome comercial Depo-Provera, e o risco de câncer de mama. O contraceptivo, assim como o de outras marcas, contém progestina, o mesmo hormônio utilizado nas terapias da menopausa e que está associado ao aumento de risco de câncer da mama.

O médico Eduardo Almeida, PhD em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em artigo publicado em seu site, conta que as mulheres têm melhor saúde do que os homens enquanto menstruam, o que tende a cair um pouco durante a menopausa. Isso inicialmente levantou a tese hormonal. O médico explica que a falta do estrogênio era o responsável por essa piora, e se propôs a terapia de reposição hormonal como preservadora da saúde da mulher em menopausa.

“Depois de mais de 20 anos de reposição com estrógenos conjugados e progestina, viu-se que isso não era verdadeiro, e que tal reposição aumentava o risco cardiocirculatório e de câncer ginecológico”, conta. “Devemos acrescentar que os estudos que revelaram o aumento do risco de câncer ginecológico em quem usa hormônios sintéticos (pílula anticoncepcional, reposição hormonal menopáusica) atribuíram tal risco muito mais à progestina do que ao estrogênio. Isso é perfeitamente compreensível, pois a progestina inibe o amplo efeito protetivo da progesterona natural em relação ao potencial tóxico do estrogênio sintético e dos xenoestrogênios (poluentes ambientais)”, explica Eduardo Almeida.

O médico ressalta que o implante de progestina é feito por via subcutânea, mas o uso do DIU de Mirena, por exemplo, também é um implante de progestina.

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