Eu batalho…e paro por uma gripe!

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As pessoas pararam de ouvir o próprio corpo. Os sentidos são anestesiados com todo tipo de medicamento. Uma dor de cabeça e lá vai um analgésico. Uma febre, ainda que amena, e logo a pessoa lança mão de um antitérmico. Garganta inflamada? Antibiótico. E por aí vai. Mas por que não se respeita mais os limites e sinais do organismo?

Um comercial de um medicamento me apontou alguns caminhos para responder essa pergunta. A propaganda é assim: uma conhecida atriz, com um papel popular na atual novela das nove da Rede Globo, entra em cena dizendo “Eu sou como você. Batalho e não paro por uma gripe. “Eu sou (nome do medicamento), e você?”.

A maioria de nós é impulsionada a viver num ritmo de vida quase que desumano. Muitos não têm tempo de preparar o próprio alimento, o que ao meu ver já é um “sinal dos tempo”. Muitos precisam mascarar todos os sintomas de uma indisposição para conseguir cumprir suas obrigações profissionais e sociais. A saúde é hoje um campo econômico importantíssimo, com a indústria farmacêutica no núcleo deste campo. E ela pode se beneficiar muito bem disso e do cenário social, onde um ser humano não se permite repousar, nem respeitar seu corpo, ainda que durante uma simples virose.

Dessa forma, condições sociais impendem o indivíduo de parar quando necessário, num ambiente em que a indústria atua quase que livremente, e nesse caso, alimenta essa necessidade de ação ininterrupta. Inclusive, atribui valor positivo a isso: “se você é um batalhador, você não para por uma gripe!”. Por favor, não caia neste conto. Equilibre sua energia de forma saudável entre trabalho, diversão e descanso. Se uma gripe não é capaz de fazê-lo parar, mais tarde seu organismo sobrecarregado pode obrigá-lo a repousar.

Por que eu penso que tomar medicamento para sintomas como os que citei logo no início do texto significa não ouvir o próprio corpo? Caro leitor, porque são os sintomas que nos avisam sobre algo errado em nosso corpo, inclusive são eles que nos levam a procurar um profissional de saúde. Tratar os sintomas, muitas vezes não trata especificamente a doença em si. Além disso, a medicina já admitiu que os únicos remédios para curar viroses são o tempo e o repouso. Segundo alguns médicos, uma dor de cabeça pode estar apenas te avisando que você comeu algo que te fez mal e intoxicou seu fígado, ou que você está muito tenso, ou que você pegou uma gripe. Pesquisas já ressaltaram os efeitos nocivos dos antibióticos. Por que não respeitar o tempo do seu organismo e esperar até que os sintomas passem?

Para amenizar o incomodo de alguns sintomas de que algo não vai bem, existem soluções que respeitam mais os limites do organismo. Alguns especialistas recomendam um jejum temporário, por exemplo. Eu não sou absolutamente contra o medicamento alopático e acredito que ele seja necessário em alguns casos. Eu sou contra a banalização do seu uso. Respeite e ouça seu corpo. Para uma vertente da medicina, mais natural, ele é perfeito e te avisa quando algo não vai bem. Tomar medicamento para sintomas que incomodam, mas não são graves, é calar sua sábia voz interna. Agindo assim, com tempo essa voz pode parar de falar. E aí, quando algo estiver errado, só vai aparecer num momento complicado de se reverter.

Saúde!

Daniele Barbosa – Editora do Portal Estar Bem
daniele.barbosa@gmail.com

2 Comments

  1. Nathalia

    Oi, Daniele!
    Descobri o site por acaso e estou adorando o conteúdo. Concordo com a ideia do post, eu mesma prefiro que meu corpo se reestabeleça sozinho, sem tomar muitos remédios. Nem sempre é possível, claro, porque temos que cumprir os compromissos do dia-a-dia. Só acho que se os sintomas forem persistentes, como uma dor de garganta, é preciso averiguar o que se trata. Infelizmente perdi um amigo esse ano, que tinha saúde normal e de repente teve uma dor de garganta. Achou que nao era nada demais e quando foi procurar um médico, foi internado por causa de uma infecçao generalizada. Comecei a pesquisar o tema e descobri que é mais normal do que eu imaginava! Descobri que isso se chama sepse e fiquei bastante preocupada. Aliás, poderia ser um tema de post!
    Um grande abraço

    • Oi, Nathalia!
      Que bom que você se identifica com o conteúdo do site. Fico feliz! Sobre sua opinião, concordo com seu ponto de vista. É preciso ficar atento aos sinais do corpo.
      Sinto muito pelo seu amigo…

      Grata sobre a sugestão, vou pesquisar sobre o assunto.

      Um abraço,
      Daniele Barbosa

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