O risco dos medicamentos permitidos

Comprimidos

Estudo publicado em 2006 pelo British Medical Journal calcula que nos hospitais britânicos, os efeitos colaterais causados por medicamentos são responsáveis por 250 mil internações por ano. Segundo pesquisa publicada em 2002 no Journal of the American Medical Association (JAMA), nos EUA quase 20 milhões de pacientes estavam tomando pelo menos um dos cinco medicamentos que o Food and Drug Administration (FDA) retirou do mercado entre 1997 e 1998. Apesar de passarem por muitos testes e análises, medicamentos aprovados pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo FDA muitas vezes são tirados de circulação por causarem efeitos nocivos à saúde, só conhecidos após serem consumidos por milhares de pessoas.

Os dados assustam, mas sinalizam para uma necessidade de rigor em relação ao uso de medicamentos. Recentemente a Anvisa suspendeu um diurético indicado para o controle de edemas e o governo português solicitou que os medicamentos Tredaptive e Trevaclyn, para o colesterol, fossem retirados de circulação. Em maio deste ano, o FDA divulgou um comunicado afirmando que investiga evidências de risco aumentado de pancreatite em pacientes que tomam remédios contra diabetes da classe dos análogos de incretina, que inclui o Victoza, fabricado pela Novo Nordisk, e o Byetta, da Eli Lilly.

No início da década de 2000, descobriu-se que a fenilpropanolamina, presente em antigripais usados até em crianças, encontrados nas fórmulas de medicamentos como Naldecon, Descon e Dimetapp, poderia causar hemorragia cerebral. Em 2000 e 2001, seis fármacos foram suspensos na Europa e outros dez, retirados do mercado. Cada remédio retirado ficou, em média, quatro a cinco anos sendo prescrito pelos médicos.

A lição que se pode tirar de todos esses dados é de que mesmo que um medicamento seja aprovado pelos órgãos oficiais capacitados, é capaz que efeitos adversos só apareçam após anos de consumo. É o caso do paracetamol, muito usado como antipirético e analgésico, mas que pode provocar danos ao fígado.

A polêmica com a substância ficou popular nas redes sociais recententemente, mas há médicos alertando para seu perigo bem antes. Em junho de 2001, em entrevista para a revista “Isto É”, o toxicologista Anthony Wong afirmou que o paracetamol causa falência hepática, a destruição total do fígado.

“Inicialmente, dava-se como dose segura para um adulto cerca de oito gramas diários. Mas, há sete anos, o FDA baixou essa dose para seis gramas e, há quatro anos, determinou que ela deve ser quatro gramas para adultos. Se pensarmos que o Tylenol Super (um dos produtos da marca) tem 750 mg, podemos dizer que essa dose equivale a cinco cápsulas por dia. Ou seja, o limite que era considerado seguro tempos atrás está mudando, progressivamente, no decorrer dos anos” explica Wong. “O segundo problema da substância é que ela é um remédio para dor e febre muito menos eficaz do que os outros que existem no mercado e por isso as pessoas usam o remédio mais vezes e atingem logo a dosagem tóxica. Tanto no adulto quanto na criança”, conclui.

Clique aqui e leia a íntegra da entrevista com Anthony Wong na “Isto É”

 

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