Sibutramina: o medicamento indicado e ao mesmo tempo perigoso para obesos

sibutramina

Daniele Barbosa

A liberação do uso da sibutramina para tratamento da obesidade pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) colocou em discussão novamente os riscos da droga. Um dos efeitos colaterais seria o aumento da pressão arterial. O grande impasse é que a hipertensão tem prevalência 50% maior em indivíduos obesos, segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), doença que o medicamento poderia agravar. Em 2010, a European Medicines Agency, que regulamenta medicamentos, recomendou a suspensão da comercialização da sibutramina. Na época o Agency’s Committee for Medicinal Products for Human Use (CHMP) concluiu que os riscos dos medicamentos que continham a substancia eram maiores que os benefícios.

obesidadeTambém em 2010 o Food and Drug Administration (FDA) notificou os profissionais de saúde alegando que a revisão dos dados sobre a sibutramina indicou um aumento do risco de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral em pacientes com história de doença cardiovascular usando a substância. Estudo concluído em 2009 demonstrou um aumento em 16% do risco cardiovascular não fatal nos pacientes tratados com sibutramina, tais como infarto do miocárdio, derrame, parada cardíaca com ressuscitação, comparados aos pacientes tratados com placebo. Intitulada “Sibutramine Cardiovascular Outcomes”, a pesquisa foi feita por 6 anos em aproximadamente 10 mil pacientes com obesidade associada a doenças cardiovasculares e pacientes com diabetes do tipo 2, com sobrepeso ou obesidade, e associada a fatores de risco de doenças cardiovasculares.

Com apenas 5 quilos acima do peso ideal, a designer Sonia Santos procurou um endocrinologista que receitou a droga como tratamento, mas não adiantou.

“Eu não senti efeitos colaterais durante o uso, mas não adiantou nada. Não perdi peso”, explica Sonia. Ela contou ao Estar Bem que para receitar a sibutramina, o médico pediu apenas um exame de sangue, perguntou se ela ia ao cardiologista e se tinha algum problema cardiovascular, além de medir sua pressão.

A fisioterapeuta Fernanda Barbosa usou a sibutramina por cinco anos e afirma que durante o tratamento não emagreceu, e quando parou, engordou mais ainda. Quando sua médica receitou a substância, Fernanda estava com 15 quilos acima do seu peso. No final de 2012 ela já pesava 91 quilos, ganhou mais 14 quilos com o tratamento.

“Eu tomava a sibutramina combinada com medicamentos para ansiedade e levotiroxina sintética, para o tratamento de hipotireoidismo, além de fazer exercícios físicos. Nunca emagreci, pelo contrário ganhava mais peso sempre que tentava parar com o medicamento”, explica a fisioterapeuta. “A cada mês a dose da sibutramina era revisada, mas mesmo assim não resolvia e acabei optando pela cirurgia bariátrica”, conclui.

A sibutramina é uma das substancias mais usadas no tratamento para obesidade, receitada por médicos e especialistas. Desta forma, as fabricantes e revendedoras de medicamentos que contem o composto se viram ameaçados com possível restrição da comercialização das drogas, devido à promessa feita em 2011 pela Anvisa de reavaliar sua segurança. No Brasil, um estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo em 2002, intitulado “Efeitos da Sibutramina no Tratamento da Obesidade em Pacientes com Hipertensão Arterial”, concluiu que o “o uso da sibutramina promoveu perda ponderal e redução da massa ventricular esquerda em pacientes obesos e hipertensos, sem interferir na pressão arterial ou na terapia anti-hipertensiva”. No final do estudo, os pesquisadores agradecem à Abbott Laboratórios do Brasil, que fornecia os medicamentos a base de sibutramina para a Medley.

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