O defeito do outro pode ser o seu, literalmente!

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Hoje não vou falar especificamente sobre a saúde do corpo, mas da saúde emocional.  O que não é menos importante, porque como diz meu analista: “toda doença é psicossomática”. Vamos logo ao assunto: inveja! Quando a gente coloca no outro um sentimento que interfere na nossa vida, penso que podemos estar apenas vendo nosso próprio reflexo. E geralmente a gente faz isso com os sentimentos negativos, porque os positivos nós queremos assumir. Por que eu digo isso? Porque eu tenho observado uma enxurrada de posts no Facebook sobre inveja. Geralmente aquelas imagens de garotas lindas vêm acompanhadas de dizeres do tipo: “sua inveja é meu sucesso”. Só que a pessoa não reconheceria a inveja sem antes senti-la a flor da pele.

Olho grego: um dos amuletos mais conhecidos contra inveja

Olho grego: um dos amuletos mais conhecidos contra inveja

Não sou psicóloga, nem terapeuta, nem nada parecido, embora a faculdade de jornalismo, muito multidisciplinar, tenha me colocado em contato com diversos campos do saber. O que me leva a pensar desta forma é minha própria experiência, meditação, auto-observância. Eu já tive medo da inveja e já pensei ser alvo dela. A inveja é único defeito que as pessoas têm extrema dificuldade de assumir que tem, porque é muito imoral.

Se você coloca “na conta” do outro o ciúme, a inveja e/ou orgulho, as raízes do sofrimento que acometem todos que pisam sobre o chão desta terra, em algum momento da vida, tenha certeza que eles estão latentes em você. Pelo simples motivo de não reconhecermos tão facilmente aquilo que não faz parte da nossa vida. Alguns anos de psicanálise me ensinou que uma criança que cresceu numa família onde a tranquilidade e compreensão prevaleceram, certamente o caminho da raiva e da discussão não será de tão fácil acesso para ela. Mas se uma criança cresceu em meio a desavenças, a desconfiança e a descrença no outro serão sensações facilmente percorridas por ela.

Eu não estou dizendo que não existem pessoas com inveja, orgulho e ciúme. Todos nós, em graus diferentes, transitamos entre as raízes do sofrimento e da ignorância, inclusive seus amigos de trabalho, sua mãe, seu pai, seu irmão. O que eu quero dizer que é possível que a gente identifique no outro aquilo que está mais forte dentro de nós. Se você tem amor, alegria, compaixão no seu coração, talvez enxergue essas qualidades com mais facilidade no próximo. Agora, se você tem orgulho e inveja, mesmo que não reconheça conscientemente, é bem possível que pense estar sendo vítima do “mau olhado” e da injustiça na maioria das situações.

Aliás, uma boa pista para reconhecer se está ou não na ignorância é a pergunta: o que eu vejo no outro? Pense bem sobre sua resposta.

Saúde!

Daniele Barbosa – Editora do Portal Estar Bem
daniele.barbosa@gmail.com

2 Comments

  1. O que não quero ver em mim, vejo no outro. Se me incomoda, melhor ainda. Melhor para que eu possa me questionar, analisar, me conhecer. Mas, antes preciso estar consciente deste processo. Ele é doloroso. Se escondi de mim mesma é porque me nego, se neguei foi para poupar-me de algum sofrimento ou culpa, sei lá. O caminho é este mesmo: sair da ignorância. O quê em mim é desconhecido? Conhecer a verdade sobre mim mesma, seja ela qual for…

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