Moacir Biondo: o poder medicinal das plantas

Moacir Biondo não é médico, mas como técnico especialista em plantas da Amazônia, dá aulas para quem estuda medicina na Universidade Federal do Amazonas, durante a fase de estágio no Internato Rural. Seu notório saber a respeito do poder terapêutico das plantas e ervas medicinais tem levado Biondo a diversos pontos do mundo e feito a diferença na vida de quem ainda prefere acreditar que, ao invés de uma aspirina, é possível ingerir um chá de pitanga para evitar a gripe.

Moacir Biondo

Moacir Biondo

“O Brasil dá alguns passos em direção ao maior reconhecimento da fitoterapia como um braço importante da medicina”, comemora Biondo. “Já há, por exemplo, 62 plantas que podem ser prescritas por médicos, inclusive no sistema público de saúde”.

Mas Biondo não se ilude e vê na indústria farmacêutica um possível entrave nos planos de quem, como ele, sabe que nossas ervas e plantas medicinais têm condições de serem grandes e saudáveis alternativas aos remédios que entopem prateleiras das farmácias.

“Existe um processo de domínio e é preciso muito cuidado, pois do mesmo modo em que avança o reconhecimento da fitoterapia como um tratamento viável, há o risco de, a partir daí, os médicos se apoderarem desse conhecimento, cuja origem nada teve a ver com o ensino acadêmico”, argumenta Biondo.

Foi aos 20 anos que ele colocou uma mochila nas costas e deixou sua cidade natal, Presidente Prudente, no interior de São Paulo, em busca de alternativas que poderiam “fazer a sua cabeça”, que não fossem aquelas escolhidas por seus amigos de juventude.

“Na verdade, eu sempre me identifiquei com as plantas. Nasci em sítio e gostava de cheirar mato. Era até chamado à atenção, pois me atrasava na hora de levar o almoço para meu pai no trabalho, já que eu parava pelo caminho para contemplar a vegetação”, lembra Biondo.

Todo esse amor às plantas o levou a estudá-las com afinco. Hoje, mesmo sem formação acadêmica, Biondo é considerado autoridade no assunto. O Portal Estar Bem pôde comprovar todo esse conhecimento durante o seminário “Despertando a Cura”, ministrado por Moacir, em Maricá (RJ), em 2013. Na ocasião, Biondo falou sobre o poder curativo das plantas para uma plateia que incluía médicos e estudantes de medicina.

Durante a palestra, Biondo explicou sobre as propriedades terapêuticas de mais de 30 plantas amazônicas, sempre ressaltando seus benefícios e contra-indicações. Mas dentre todo esse vasto universo das ervas medicinais, ele tem suas favoritas:

“Se eu tivesse que escolher apenas três vegetais para a minha vida, escolheria o alho, o limão e o jatobá”, afirma.

Sobre o alho, Moacir diz ser um poderoso antibiótico natural e remédio para veias e artérias. Já o limão trabalha para alcalinizar o sangue, que, quando ácido, vira um ambiente propício para doenças. Em relação ao jatobá, a planta serve como tônico para o sistema imunológico, entre diversas outras propriedades. Moacir garante que essa combinação já é suficiente para prevenir e tratar diversas doenças.

A lista de plantas citadas por Moacir é repleta de nomes estranhos para a maioria da população: mururé, sucuba, taperebá, crajiru e embaúba, por exemplo, são nativas do Brasil, com diversas funções para saúde. No entanto, mesmo aquelas plantas mais populares têm suas propriedades terapêuticas desconhecidas pelo cidadão comum, especialmente aquele da cidade grande, conta o pesquisador. É o caso, por exemplo, da famosa dormideira. A planta, comum em gramados e que se encolhe ao ser tocada, é muito utilizada na Colômbia, no tratamento de doenças femininas.

 Indústria x Guaraná 

Alguns fitoterápicos já caíram nas graças da indústria farmacêutica. Nesse caso, Moacir ressalta que é preciso sempre verificar a procedência do produto, o que influencia diretamente nos resultados. O guaraná serve como exemplo. O pesquisador conta que a poderosa planta caiu em descrédito por causa de falsificações, e garante que a substância original produz um bom fitoterápico. O guaraná em pó orgânico da Amazônia combate a depressão, aumenta as sinapses cerebrais e trata da enxaqueca, gerando bem estar.

Ser defensor da fitoterapia não faz de Moacir Biondo um inimigo da medicina moderna. Ele ressalta que o poder das plantas não exclui a alopatia, e que os conhecimentos podem caminhar juntos, complementando-se. A grande diferença entre remédios alopáticos e fitoterápicos, explica Biondo, está na composição química.

“A alopatia isola o principio ativo e esquece que existem vários outros elementos da planta que funcionam em conjunto. É a base química que faz o principio ativo agir. O fitoterápico é planta inteira”, conclui.

1 Comment

  1. Antonia Zilda Dantas de Menezes

    Foram momentos maravilhosos, de muito aprendizados, que DEUS continue dando ao Moacir Biondo SAÚDE pra ele trazer esses e outros conhecimentos p/ nós.

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