Alimentação e natureza: a vida inteligente de Malu Paes Leme

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Aos 17 anos, Malu Paes Leme já sofria as consequências de hábitos negativos. Desconexão com a natureza, com seu próprio corpo, consumo excessivo de alimentos industrializados e medicamentos, entre outros fatores fizeram com que a carioca, no inicio de sua juventude, sofresse com prisão de ventre crônica, muitos enjoos, fadiga e outros desconfortos. Foi a partir da sua própria experiência que Malu foi em busca de uma vida mais saudável e descobriu um mundo possível de mais vitalidade, saúde, consciência e criatividade. Com formação em culinária macrobiótica, ayurvédica, crudívora, ela escreveu o livro “Alimentação Inteligente – Receitas Naturais” e conversou com o Estar Bem sobre sobre a relação entre saúde, comida e natureza. Confira a entrevista!

Malu Paes Leme

Malu Paes Leme

 

Estar Bem – Muitas pessoas argumentam que para se alimentar é preciso de tempo e, por isso, acabam negligenciando a alimentação correta. Como você faz para conciliar a disciplina que requer uma vida saudável com as atividades do dia a dia?

Malu Paes Leme – Eu acho interessante comentar sobre disciplina e sobre tempo, porque essas duas questões são extremamente difíceis hoje em dia de colocar em prática. Vivemos numa correria como nunca antes. São tanto estímulos de todos os lados, tanta informação para ser digerida e assimilada, tantas opções…mas, isso é uma realidade muito mais da cidade grande do que das áreas mais rurais se formos analisar e sentir. Por isso, morando em uma cidade grande, percebi que para me manter mais disciplinada e com mais tempo era preciso estar mais em contato com a natureza ao redor da cidade, frequentar lugares mais calmos para me conectar e poder sentir os benefícios do que eu estava fazendo ao escolher uma alimentação mais saudável, ao mesmo tempo em que me organizava no trabalho e nos afazeres diários para poder ter tempo de cozinhar pra mim, de comprar meus alimentos, etc. Eu tracei uma meta, que era melhorar minha saúde e me sentir bem, e isso me ajudou muito a conquistar esse tempo para mim. No começo é difícil, mas depois de um tempo, quando sentimos os benefícios, faz valer a pena e percebemos que nem é tão difícil assim.

Criação da chef Malu: vitamina verde de banana, manga e folhas verdes com guarnição de bananas picadas

Criação da chef Malu:
vitamina verde de banana, manga e folhas verdes com guarnição de bananas picadas

EB – Fale um pouco sobre seu curso “Alimentação Inteligente”. Quais os princípios, o que você ensina e o que significa se alimentar de forma inteligente.

MPL – Os cursos e aulas que dou sobre “Alimentação Inteligente” tem o objetivo de acordar os sentidos das pessoas e sua criatividade no dia-a-dia e na cozinha, pois acredito que uma das coisas principais para realmente fazer a diferença entre ter uma alimentação saudável e praticá-la a longo prazo é o fato de você mesmo fazer sua própria comida, pois esta conexão com os alimentos naturais é essencial para o corpo ter consciência de que aquilo é o que ele foi feito para comer e prosperar, e isso torna toda a mudança e adaptação mais fácil, além de ser super divertida! Meu desafio é mostrar para as pessoas as mil e uma possibilidades de se preparar os alimentos naturais de uma forma menos processada e que seja baixa em sal, gordura, açúcar, glúten e lactose (que são os responsáveis pela maioria dos problemas de saúde nos dias de hoje) e ser tão gostosa quanto o que ela está acostumada a consumir. E tenho tido muitos resultados positivos!

Os princípios da Alimentação Inteligente se baseiam nas minhas próprias experiências nesses 8 anos em que venho vivendo um estilo de vida e alimentação mais natural e, claro, dentro da realidade dos dias atuais. Hoje em dia o excesso do consumo de alimentos industrializados (que estão desvitalizados) e dos mesmos alimentos (que acontece com o trigo, soja, milho, leite, etc) que acabam causando alergias alimentares; o excesso do consumo de alimentos de origem animal que contém muita gordura e muita proteína (que em grandes quantidades torna difícil nosso corpo digerir e assimilar); alto consumo de sal, açúcar refinado, muitos condimentos e pouca fibra, vitaminas e minerais fez com que eu percebesse que adotar uma dieta mais rica em alimentos vegetais (muitas frutas, verduras, vegetais, legumes, sementes oleaginosas e grãos) de forma mais crua (e quando cozida, feita de uma forma com menos perda de nutrientes), menos processada, mais integral, respeitando a maturação e frescor dos alimentos vindos de uma agricultura orgânica e mais local, e baixa ou nula em alimentos de origem animal, sendo assim uma alimentação mais vegana, aliadas à um estilo de vida muito ativo, em contato com a natureza e com os elementos naturais (sol, rios, mares, verde, terra, ar puro, água pura, etc) são os pontos cruciais para uma mudança efetiva que recupera a saúde e ajuda a pessoa a entrar em homeostase (equilíbrio). De fato, é uma forma inteligente de se cuidar, de se conhecer, de se nutrir. E com certeza, não se trata só de uma alimentação mais inteligente vindo somente de alimentos, mas sim de uma nutrição positiva do que ouvimos, do que lemos, do que falamos, do que vemos, do que tocamos…

EB – Você tem formação também em permacultura, que prega um modo de vida em equilíbrio com a natureza e resgata um pouco da relação do homem com a terra. Você acredita que a industrialização dos alimentos, além de serem prejudiciais à saúde, pode prejudicar outras áreas da vida humana?

MPL – Muitos dos alimentos industrializados causam uma dependência química nas pessoas. Eles são preparados para nos viciar, pois eles são tão processados e distantes do que é um alimento integral, fresco e natural que nos desconectam da nossa própria natureza, como animais da espécie humana. Isso acarretou e ainda acarreta muitos malefícios aos seres humanos. Diminuímos nossa atividade física, passamos a dormir mal, ficamos mais estressados, nos enchemos de remédios para resolver os sintomas que esse tipo de alimentação causa e passamos a ter menos conexão com a natureza que nos cerca. A consequência disso é nos alimentarmos mais ainda desses mesmos produtos que nos viciam e nos desconectam, é um ciclo vicioso. E se pensarmos de forma mais holística, isso é péssimo para uma sociedade, ter cada vez mais cidadãos doentes, cansados e desvitalizados, que pouco se autoconhecem. Quanto mais desconectados, mais nos desesperamos e ficamos menos estruturados para passar pelos processos naturais da vida humana de crescimento e amadurecimento, que o contato mais direto com a natureza (seja ela através dos alimentos naturais ou do espaço físico) nos proporciona. Com isso, a consequência como não ver sentido na vida e não nos conhecer profundamente nos leva a  buscar por fuga e estímulos de forma inconsciente em várias áreas: bebida alcoólica, drogas, festas, relações desgastantes, excesso do consumo de coisas materiais, comida, etc. O resultado disso é um grande impacto social e ambiental negativo.

EB – O que você nunca come e por que? E o que não pode faltar no seu cardápio diário e por que?

MPL – Eu não sou muito a favor da palavra nunca, rs. Prefiro “o que você evita comer?” Eu procuro evitar a maioria dos alimentos

Escolher e preparar seu próprio alimento são alguns dos segredos de Malu para um vida mais saudável e conectada com a natureza

Escolher e preparar seu próprio alimento são alguns dos segredos de Malu para um vida mais saudável e conectada com a natureza

industrializados, e eles não fazem parte do meu dia a dia. Alimento industrializado é alimento desvitalizado.  Quando os consumo, opto pelos menos processados, com menos adições de sal, gordura, açúcar e que sejam de marcas mais orgânicas e locais. Não consumo alimentos de origem animal como carne vermelha e de frango, frutos do mar e laticínios, já ovos caipira e peixe branco (não os vindos de pesca predatória e que estão em extinção) não vejo tanto problema de consumir muito esporadicamente, pois são mais leves para o corpo digerir se forem consumidos bem frescos. Eu os vejo mais como suplementos alimentares, e não como base alimentar.  Não acredito que o ser humano foi feito para consumir laticínios, e carne vermelha, de frango e frutos do mar são muito pesados para digerirmos, nos indicando o quanto não deveríamos consumi-los, principalmente os vindos de uma indústria e da exploração e maus tratos aos animais. Eu não consumo frituras e nem óleos (incluindo azeite), pois a fritura torna o alimento extremamente perigoso e cancerígeno e os óleos são refinados e torna a gordura boa rançosa (que ajuda no envelhecimento precoce, no desequilíbrio do corpo). O único óleo que abro mais exceção, e muito esporadicamente é o óleo de coco, que é o mais natural dentre todos.

O que não pode faltar no meu cardápio do dia a dia são muitas frutas maduras (que é a base da minha alimentação atual), muita verdura fresca e orgânica, vegetais, leguminosas como lentilha, feijão, ervilha, algumas castanhas e sementes oleaginosas cruas, tubérculos como inhame, cará, mandioca e batatas, e alguns grãos como arroz integral, arroz basmati, quinua, milho. Sendo que todos eles eu gosto de alternar e consumir de acordo com o que está na estação.

EB – Qual a importância dos sucos verdes integrais?

MPL – A importância desses sucos é que eles são uma da melhores formas de se adicionar mais frutas e verduras no dia a dia de forma saborosa, pré-digerida (então fica mais fácil de digerir e assimilar) e ajudam muito no processo de desintoxicação do corpo. Você adiciona mais vitalidade, mais enzimas, mais nutrientes essenciais como vitaminas e minerais que precisamos para funcionar da melhor forma possível. E além de tudo, eles são muito práticos e fáceis de fazer! Pois só é usado frutas e folhas verdes.

EB – Qual conselho você pode dar para quem quer mudar o estilo de vida e ser mais saudável? Por onde começar?

MPL – Lembre-se que o que eu você faz todos os dias determina muito mais o seu grau de saúde do que o que você faz esporadicamente. Então não torne a exceção uma prática diária.

Comece com a mudança no desjejum, consumindo somente frutas maduras. Depois, antes do almoço e do jantar consuma mais frutas e muita salada sem adição de óleos e muitos condimentos (opte por utilizar limão, ervas frescas, frutas, sementes e castanhas cruas ou abacate para dar o toque especial), ao mesmo tempo vá diminuindo o consumo de alimentos industrializados e de origem animal, ou dando preferência para os de produção orgânica.

Faça tudo com calma, com atenção, dedicação e foco. Vá acordando seu corpo aos poucos ao introduzir mais e mais alimentos vegetais e deixe-o fazer o seu trabalho de eliminar os resíduos acumulados todos esses anos. Levar uma vida bem ativa e com uma alimentação o mais natural possível, fresca e orgânica, que é automaticamente uma dieta mais desintoxicante, ajudará o seu corpo a se manter mais estruturado, forte e ter o sistema de limpeza e desintoxicação funcionando muito bem. Depois do tempo necessário de recuperação e reestruturação, sua consciência será maior, você irá se auto conhecer muito mais e suas escolhas serão cada vez mais benéficas para você e para o mundo. Esse é o segredo.

Receita de suco verde integral de Malu Paes Leme

Ingredientes:

3 bananas bem maduras (para saber quando a banana está madura, veja se a casca dela está mais escura, com pontinhos ou manchas pretas)

Vitamina Verde Integral

Vitamina Verde Integral

1 maçã fuji ou gala

1/2 maracujá (sementes)

1 fatia grossa de mamão formosa (aquele grande)

1 pedacinho de gengibre

5 folhinhas de hortelã

2 a 3 folhas de couve mineira (sem o talo)

1/2 xícara de água de coco ou filtrada (se necessário)

Modo de Fazer:

Como prefiro não utilizar muito água nesse suco, no liquidificador coloque primeiramente as frutas mais macias como o mamão e o maracujá. Depois adicione a banana e a maçã picada (desta forma será mais fácil de liquidificar sem utilizar água, e o suco ficará mais encorpado e mais doce). Acrescente o restante dos ingredientes e liquidifique bem. Depois é só se deliciar!

2 Comments

  1. Achei seu blog ontem no Google por acaso, e estou amando! Comecei a pouco tempo a me preocupar bastante com a minha alimentação, depois que vi os documentários “Food Matters” e “Hungry for a Change”. Amei a entrevista com a Malu, vou procurar o livro dela pra comprar.

    Vou acompanhar seu blog sempre!
    Bjos

    • Portal Estar Bem

      Oi, Talita!
      Fico muito feliz que você gostou do Estar Bem!! Espero poder te auxiliar no caminho da saúde do corpo e da mente!

      Um beijo,
      Daniele

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