A revolução nossa de cada dia

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Ir para as ruas protestar é positivo. Sinal de que o movimento inicial, aquele mais difícil, que tira o objeto da inércia, foi iniciado. Mas também seria muito construtivo se as pessoas começassem a protestar por meio das escolhas. Mais revolucionário que sair às ruas podem ser as escolhas diárias. É possível subverter a ordem com a consciência plena em cada escolha. Não podemos esquecer que somos parte fundamental da engrenagem que faz a máquina funcionar. E com o que abastecemos essa máquina no modelo econômico atual? Com nosso dinheiro.

Acredito que a forma como gastamos nosso dinheiro influencia mais no modo como vivemos em sociedade que o nosso próprio voto. O Congresso, as Câmaras, o Senado e todos os espaços onde decisões que interferem direta ou indiretamente nas nossas vidas são tomadas estão repletos de políticos movidos por lobbys, representantes da iniciativa privada que pressionam fortemente os partidos para defenderem seus interesses. E são esses grupos, que atuam muitas vezes de forma velada, que decidem o resultado de votações, e a tomada de decisões importantes. Um exemplo: o aumento da passagem de ônibus, que gerou toda essa revolta. Nosso transporte público é, na prática, privado. Paradoxal. Falando assim, parece nem fazer sentido, mas, mesmo sendo um serviço concedido pelo governo, é a iniciativa privada quem, na verdade, rege o transporte público no Brasil. E a iniciativa privada funciona movida pelo lucro.

Por isso, mais que apoiadora do protesto pacífico, apoio o boicote. Não adianta ir para a rua e continuar consumindo com a cabeça de quem ainda está na inércia. Esse é o próximo passo. Subverta com suas escolhas, com seu consumo. Você precisa se locomover, mas não precisa ser de ônibus, nem de carro, algumas pessoas podem ir de casa para o trabalho de bicicleta. Você precisa se alimentar, mas não necessariamente de fast-food, do biscoito da propaganda, ou da lasanha congelada da marca líder. Você precisa ir ao médico, mas pode planejar seu orçamento e pagar por um médico que seja especialista em vida, não em morte. Você precisa organizar seu orçamento, mas não precisa ter conta em banco.

Eu penso que escolher ser saudável já é ser revolucionário. Quem escolhe verdadeiramente uma vida com saúde se conecta mais com sua natureza, consome menos sem necessidade, nutre o corpo de alimentos naturais, previne para não remediar, e, só por aí, a pessoa já subverte duas ordens que imperam atualmente: a dos alimentos industrializados e a dos medicamentos em excesso. As empresas que integram os setores industriais de alimentos e farmacêutico lucram exorbitantemente todos os anos e, por isso, formam um lobby fortíssimo que influencia nas decisões públicas. Boicote essa ordem e, aí sim, torne-se um cidadão coerente. Ir para as ruas é importante, mas é só o primeiro passo.

Saúde!

Daniele Barbosa – Editora do Portal Estar Bem
daniele.barbosa@gmail.com

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