A revolução e a paz começam no prato

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Em tempos de manifestos intensos por todo o Brasil, há que já revolucione sem precisar pintar a cara, levantar cartazes ou ir para as ruas. Esse é o caso de Fernanda Mayrinck, que há 15 anos é vegetariana e há 3 vegana. Fernanda gosta de subverter muitos conceitos, o de beleza inclusive. Aos 38 anos a ativista e produtora de cinema fez um ensaio nu para a revista Trip de março. Com muita elegância, a carioca mostrou nas fotos que é possível beirar os 40 com um lindo corpo e cheia de ideais.

Embora dona de um físico invejável, Fernanda parece estar mais preocupada em nutrir o espírito. Ela acredita que o corpo é a morada da alma e que, por isso, é inconcebível um ser humano se alimentar de “cadáver”, expressão que usa para se referir à carne animal.

Fernanda Mayrinck

Fernanda Mayrinck

“Sutilizar o corpo cada vez mais, ingerindo alimentos que realmente nutrem e nos fortalecem é um caminho para elevação espiritual, sem duvida! Alimento é diferente de comida. Ingerir cadáver é inadmissível para um ser que busca se elevar”, explica.

Em relação à saúde, a produtora afirma ao Portal Estar Bem que sua alimentação com restrição total a alimentos de origem animal a fortalece. Ela conta que seus amigos consumidores de “cadáveres” estão frequentemente se queixando de enfermidades e sempre a perguntam como ela faz para nunca ficar doente. Jogo aberto, Fernanda atribui sua saúde à opção pela dieta vegana.

Mas, porque ser vegana e não apenas vegetariana, perguntamos a ela?

“A indústria de laticínios mata tanto quanto a de carnes. O leite é um veneno já comprovado por Harvard, e seus derivados a mesma coisa. As galinhas são mantidas a base de hormônios, existe veneno ali também”, ressalta. “Mas não é só uma questão de saúde. O engajamento é por tudo! A indústria que mata os animais é cruel e existe uma engrenagem política por trás que precisa ser desmascarada. Estamos rendidos. Este é foco principal do meu engajamento”, conclui

Ela conta que 72% da Amazônia está desmatada devido á pecuária, e do restante 20% é destinado ao plantio da soja para alimentar o gado. Fernanda destaca ainda a questão dos transgênicos. Na sua opinião as sementes geneticamente modificadas correm livres por aí, mesmo com poucos estudos em relação às consequências à saúde humana, por causa de acordos entre o governo e as indústrias.

A causa de Fernanda começou cedo e sua relação com os animais é de amor e respeito profundos.

“Foi aos sete anos, quando vi matarem uma galinha na casa dos meus avós, que me tornei uma ativista da causa animal. Ainda criança, enviei uma carta ao presidente, na época José Sarney, depois de assistir pela televisão a matança de baleias”, relembra.

Hoje, a produtora divulga sua causa por meio do cinema. Ela faz parte da “Mostra Animal”, projeto da Sociedade Vegetariana Brasileira que exibe filmes sobre o tema pelo Brasil. A ativista participa também do Instituto Nina Rosa, uma organização sem fins lucrativos que promove a conscientização sobre defesa animal, consumo sem crueldade e vegetarianismo.

Fernanda levando a causa animal para as crianças, em uma de suas exibições de filme sobre defesa animal

Fernanda levando sua causa para crianças, em uma de suas exibições de filme sobre defesa animal

A luta em defesa dos animais vem de família. Seu avo era ambientalista, conservacionista de espécies de aves, seu pai seguiu o mesmo caminho. A convivência com os bichos despertou seu amor pelos animais. Hoje seus pais são vegetarianos por sua causa, moram num sítio em Minas cheio de animais resgatados.

Embora o amor pelos animais tenha despertado em Fernanda a vontade de lutar pela causa desde bem criança, praticar a paz também no prato lhe parece atitude de uma nova fase da humanidade. Sua missão é auxiliar nesse entendimento.

“A nova era se constitui de seres que se alimentam da não-violência. Com o tempo você vai notando que seu corpo necessita de bem pouco para viver. Você nutre sua alma. O corpo é a morada da alma. É meu santuário sagrado! Precisamos nos tornar seres inofensivos”, finaliza.

Para quem se interessou pela causa, a próxima parada de Fernanda Mayrinck é na Universidade Federal Fluminense (UFF), onde vai exibir os filmes da “Mostra Animal” num evento que aborda o tema violência por meio do cinema. Mais informações no site www.mostraanimal.com.br

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