Estatinas: uma polêmica não noticiada

pilulas

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reduziu de 100 para 70 miligramas por decilitro o limite considerado saudável do LDL, conhecido como colesterol ruim, para pacientes com alto risco de doenças cardiovasculares. Em matéria do jornal O Globo (leia aqui), Hermes Toros Xavier, presidente do Departamento de Aterosclerose da SBC foi enfático e se lançou em defesa do uso das estatinas, substancia base dos medicamentos que diminuem o colesterol. Na matéria, baseou sua posição no que ele chama de “dois grandes estudos”. Um deles da American Heart Association, onde os pesquisadores concluíram que houve 44% menos mortes por causas cardiovasculares entre os que tomam o remédio. Mas não é o que pensam os médicos Nelson Souza e Silva, professor titular de cardiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Eduardo Almeida, PhD em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Com breve comentário sobre a decisão na matéria do O Globo, em entrevista para o jornal da UFRJ concedida em 2005, Silva já era questionava o sucesso dos medicamentos. Segundo ele, as estatinas integram o roll das drogas mais vendidas no mundo, mas apresentam pouco resultado. De acordo com o médico, após vários investimentos em ensaios clínicos, os resultados indicaram que, se a pessoa tem uma chance de 10% de vir a ter um infarto do miocárdio, em dez anos a droga reduz essa probabilidade para 7%. Embora positivo, Silva acredita que o resultado é muito pequeno.

“Se eu desenvolvo uma droga eu quero vendê-la, quero ter lucro com ela. Esse é o grande problema. E você suporta que a droga possa ser usada porque eu faço ensaios clínicos e entro com o meu marketing. Ao invés de dizer que a droga reduziu a probabilidade de risco em 3%, um efeito pequeno, digo que ela reduziu o risco em 30%. A mágica de transformar três em 30 é que o três é redução de risco absoluto e os 30 redução relativa de risco”, explica Nelson Souza e Silva em entrevista ao jornal da UFRJ.

Para o médico Eduardo Almeida “é completamente insustentável a história de colesterol bom (HDL) e ruim (LDL)”. Ele explica que o primeiro é a forma de transporte do colesterol das células para o fígado, o segundo do fígado para as células.

“Ambos têm suas funções específicas e essenciais. Foi o public relation da indústria farmacêutica quem inventou esse conto”, afirma Almeida

O médico ressalta no artigo “O grande conto do colesterol”, que, embora a estatina reduza drasticamente o colesterol, os resultados na prevenção e regressão da placa ateromatosa e doença arteriosclerótica são pequenos se analisados a médio e longo prazo.

Eduardo Almeida atenta ainda para uma questão que vai totalmente contra a lógica do “colesterol bom é colesterol baixo”. Ele cita em seu artigo um estudo conhecido como Honolulu Heart Program, que analisou o efeito de proteção do colesterol em pessoas com mais de 56 anos. Os pesquisadores revelaram que houve um aumento de mortalidade em pessoas idosas com colesterol baixo, além de concluírem que níveis persistentemente baixos de colesterol por longo tempo aumentam o risco de morte.

Nota: O Estar Bem considera que o uso das estatinas e a opinião sobre o colesterol e seus efeitos maléficos na saúde são noticiados amplamente por veículos de comunicação de largo alcance. Este post pretende apenas apresentar outros pontos de vista sobre a questão, como o dos médicos citados na matéria.

Leia também: Uma outra visão sobre o colesterol 

 

5 Comments

  1. Cleopatra Albuqueruqe

    Quando entrei na menopausa, aos 48 anos, minhas taxas de colesterol foram consideradas altas pelos médicos que na época eu procurava, todos me indicaram sinvastatina em doses altas, que faziam baixar a taxa mas me proporcionaram um alto nivel de gordura no fígado, o que é dito na bula da bendita sinvastatina . Então estou doente do fígado agora e me recuperando tomando todos os dias óleo de peixe , omega 3, que não me da nenhum efeito colateral e abaixa a taxa de colesterol alto. Isso é ou não um ato criminoso dos medicos que me atenderam ? Por que eles não receitaram como primeira opção o omega 3 ?

    • Portal Estar Bem

      Querida, Cleopatra
      Agradeço por compartilhar com os leitores do Estar Bem sua experiência, porém lamento o ocorrido. Por isso precisamos sempre ouvir vários pontos de vista sobre um mesmo assunto. Espero que você se recupere bem e logo!

      Um beijo,
      Daniele

      • Cleopatra Albuqueruqe

        Obrigada querida, estou sempre atenta, e aprendendo mais a cada dia, com pessoas corretas como você. Beijos.

  2. É importante lembrar que a estatina “barra” um processo importantíssimo realizado pelo organismo (ciclo de krebs). Esse processo interrompido gera um efeito colateral devastador no paciente que utiliza essa droga. No livro ” O Mito do colesterol” muitas pesquisas agrupas demonstram que a utilização das estatinas sem a prescrição de Coq10 pode levar o paciente a um quadro clínico bem complicado.

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