Um feliz ano novo, mas para hoje mesmo!

sol

Uma vez uma pessoa muito próxima a mim teve um grave problema de saúde. Eu e minha família descobrimos que essa pessoa poderia morrer a qualquer momento e precisava realizar uma cirurgia complexa as pressas. Eu vi de perto uma outra pessoa, muita ligada ao enfermo, esquecer todas as mágoas do passado e manifestar o seu mais pleno amor. Esse não é um caso exclusivo. Quando a morte chega perto, é arrebatadora. Muda profundamente o valor das coisas, do trabalho, do dinheiro, do amor, da companhia, da amizade, dos negócios. Mas será realmente preciso ver a vida de um ente querido, ou a própria, em perigo para despertar?

O livro “Vida e morte no budismo tibetano” tem uma passagem que diz: “O tempo é muito precioso. Não espere até estar morrendo para compreender a sua natureza espiritual”. Mas a maioria de nós só resolve fazer o que realmente importa quando vive uma catástrofe, uma doença, uma perda. Ou seja, perdemos tempo, muito tempo. E então, amedrontados pela a única certeza que paira em nossas vidas, a da morte do corpo físico, resolvemos viver. Por que?

florEu acredito sinceramente, do fundo do meu coração, que esse momento, esse exato momento é o ideal para manifestarmos toda nossa felicidade em viver. Eu sinto realmente que não importa a circunstancia, o momento, a situação em que estamos, satisfatória ou não. Agora é o momento de despertar. Isso nada tem a ver com o “Yes, we can do!”, porque eu penso que não há nada a fazer para ser feliz e viver em plenitude. E é essa descoberta – e a prática dela – que eu desejo a todos.

Em cada um de nós existe uma fagulha divina que precisa só de uns soprinhos para se tornar um fogo, uma luz que transcende a nós mesmos. Não é o trabalho ideal, o casamento perfeito, uma conta bancária estabilizada, os amigos confiáveis que fazem o vento necessário para ascender essa luz. É essa luz já acesa que faz a vida fluir no mais perfeito ritmo. O amor, a prosperidade, a harmonia são apenas consequência. O movimento é de dentro para fora. A felicidade, a plenitude, que nada tem a ver com euforia, é um estado tão natural e intrínseco ao ser humano, que verdadeiramente não depende de nada, a não ser de vida.

Estudante de medicina ayurvédica e muito interessada pela filosofia do yoga e pelos vedas, escrituras sagradas da Índia, eu tomo muito cuidado para que meu olhar ocidental não transforme as preciosas lições espirituais do yoga e dos vedas em reflexões de autoajuda. Mas sinto obrigação de compartilhar o que aprendo, porque experimento na prática o movimento positivo que esses ensinamentos milenares fazem na minha vida.

Eu desejo a mim e a todos que não seja mais necessário adiar nossa felicidade em viver para depois que sentirmos medo de perder a chance de amar as pessoas e a natureza. Eu desejo sinceramente que nossa plenitude seja despertada pelo estado natural de amor que reside em nós. Eu poderia desejar tudo isso para 2014, mas eu prefiro deseja para agora mesmo.

Feliz vida a todos e que em 2014 estejamos todos plenos e irradiando amor!

Daniele Barbosa
Autora do Portal Estar Bem

2 Comments

  1. Netto Nunes

    Excelente texto, de uma profunda lucidez. Não poderia ter lido em momento tão oportuno. Obrigado!

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