O que não se fala sobre a cirurgia bariátrica

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O número de cirurgias bariátricas feitas no Brasil aumentou em quase 90% nos últimos cinco anos, chegando a 72 mil em 2012, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). A rápida perda de peso, associada à melhora em curto prazo nos índices de insulina e glicose no sangue podem ser vistos como os motivos da maior indicação médica e procura pelo procedimento por pessoas obesas. Porém, os riscos a serem assumidos ao se escolher a operação no estômago são pouco discutidos publicamente. Nem a SBCBM, nem a American Society for Bariatric Surgery apresentam, em seus sites, textos de fácil acesso com a descrição dos perigos do procedimento.

De acordo com diretrizes da American Society for Bariatric Surgery, são candidatas à cirurgia pessoas com um índice de massa corporal acima de 40, correspondente a cerca de 100 quilos acima do peso ideal, ou um IMC acima de 35, além de pelo menos uma co-morbidade relacionada à obesidade, como diabetes tipo II. Porém, segundo o médico Osama Hamdy, diretor do setor de internação por diabetes do Joslin Diabetes Center, em Boston (EUA), não se pode concluir ainda que a cirurgia bariátrica seja um procedimento absolutamente benéfico para pacientes obesos e com diabetes. Hamdy afirma que tais conclusões são baseadas em estudos de, no máximo, dois anos, tempo muito pequeno, segundo o médico, para comemorar o sucesso do procedimento e recomendá-lo amplamente como vem sendo feito.

Um estudo publicado em junho de 2013 no The Journal of the American Medical Association (JAMA) reforça a tese de Hamdy. Liderada por Melinda Maggard-Gibbons, da David Geffen School of Medicine, da Universidade da Califórnia, a pesquisa conclui que, embora a cirurgia bariátrica em pacientes com um IMC de 30 a 35 e diabetes esteja associada a uma maior perda de peso a curto prazo e melhores resultados de glicose intermediária, a evidência é insuficiente para chegar a conclusões sobre o uso adequado do procedimento na população, até que mais dados estejam disponíveis sobre resultados a longo prazo sobre possíveis complicações da cirurgia.

Embora sejam registrados poucos casos de mortalidade durante a operação, pacientes devem atentar para as complicações ao longo da vida. Risco elevado de hemorragia, infecções, vazamentos no trato gastrointestinal, obstrução intestinal, hérnias, úlceras, alcoolismo e síndrome de dumping gástrica são descritos por Osama Hamdy, em matéria da Rede CBS.

O dumping, conhecido também com “síndrome do esvaziamento rápido”, está entre as complicações que podem afetar pacientes operados por qualquer uma das técnicas de redução de estômago. Embora não seja considerado um problema grave, pode causar grande incômodo, pois os sintomas incluem náusea, fraqueza, transpiração, fragilidade e, ocasionalmente, diarreia após as refeições. O motivo seria o rápido esvaziamento do conteúdo do estômago para o intestino, podendo ser desencadeado também quando muito açúcar ou grande quantidade de alimento é ingerido.

O abuso do uso de álcool por pessoas que optam por qualquer uma das técnicas da cirurgia também vem sendo observado. Recentemente, pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh concluíram que 7,6% dos pacientes tinham problemas com álcool antes da cirurgia. O número subiu para 9,6%, após a operação, o que significa 2 mil novos casos de abuso de bebida alcoólica por ano nos EUA. A pesquisa revelou também que pacientes relataram maior frequência de sintomas como necessidade de beber de manhã, perda de memória e sentimento de culpa. O consumo de álcool também aumentou entre os pacientes no segundo ano após a operação, comparado com o pré-operatório e com o primeiro ano.

Alguns especialistas afirmam que o problema, neste caso, está ligado à rápida absorção do álcool, o que pode torná-lo mais viciante e, por ser mais absorvido por essas pessoas, elas ficam mais alcoolizadas. Porém, outra linha de raciocínio acredita que por usarem a comida como refúgio para problemas emocionais, e após a cirurgia se verem impossibilitados fisiologicamente de comer em grande quantidade, os pacientes passam a usar o álcool como válvula de escape. O estudo, que foi publicado no JAMA, apontou ainda que, com o aumento da sensibilidade ao álcool, há também um aumento no risco de dependência e abuso da bebida.

Abaixo a lista de riscos causados pela cirurgia bariátrica descrita pelo médico Isaac Walker de Abreu, em seu site.

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  • Náusea e vômito
  • Fístula (vazamento do conteúdo do estômago ou do intestino para a cavidade do abdômen ou pele)
  • O grampeamento do estômago leva consigo o risco de rompimento da linha do grampo, que pode resultar em vazamento e /ou infecção grave
  • Embolia pulmonar (coágulo no pulmão)
  • Infecção Pneumonia
  • Atelectasia (colabamentos da base dos pulmões)
  • Sangramentos
  • Hérnias
  • Distúrbios nutricionais
  • Alterações psicológicas
  • Como em todas as cirurgias para perda de peso, uma nova internação pode ser necessária para reposição de líquidos ou suporte nutricional, se houver vômito em excesso e a ingestão adequada de alimentos não puder ser mantida Inchaço abdominal e evacuação fétida ou gases podem ocorrer
  • Monitoramento rigoroso e vitalício quanto à má nutrição de proteína, anemia e doença óssea é recomendado. Em algumas técnicas é necessário um complemento vitamínico vitalício. Em geral, observou-se que se as instruções de alimentação e complemento vitamínico não forem rigorosamente seguidas, 25% dos pacientes desenvolverão problemas que precisarão de tratamento
  • As mudanças na estrutura intestinal podem resultar no aumento do risco de formação de cálculo biliar e necessidade de remoção da vesícula biliar
  • O redirecionamento dos sucos biliares e pancreáticos, bem como de outros sucos digestivos, para fora do estômago pode causar irritação intestinal e úlceras
  • Quando o duodeno é desviado, a má absorção de ferro e cálcio pode resultar na redução do total de ferro do organismo e uma predisposição para anemia por deficiência de ferro
  • Mulheres já em risco de osteoporose, que pode ocorrer após a menopausa, devem estar conscientes do potencial para perda intensificada de cálcio no osso
  • Pode ocorrer anemia crônica, devido à deficiência de Vitamina B12
  • O problema geralmente pode ser tratado suplemento de B12
  • Uma condição conhecida como, “síndrome do esvaziamento rápido” ou “síndrome de dumping”, pode ocorrer
  • A parte desviada do estômago, duodeno e segmentos do intestino delgado não pode ser facilmente visualizada, usando um raios-x ou endoscopia, caso ocorram problemas como úlceras, hemorragias ou malignidade
  • Risco de morrer

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Fontes de pesquisa:

http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=1693893
http://saude.terra.com.br/doencas-e-tratamentos/estudo-cirurgia-bariatrica-aumenta-riscos-de-dependencia-ao-alcool,cc7e90bee1afa310VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1107286-cirurgia-bariatrica-aumenta-risco-de-dependencia-de-alcool.shtml
http://www.drthalesdelmondes.com.br/consumo-de-bebida-alcoolica-apos-a-cirurgia-bariatrica/
http://drisaacwalker.site.med.br/index.asp?PageName=Complica-E7-F5es
http://papodegordo.com.br/2010/09/17/os-perigos-da-cirurgia-bariatrica-gastroplastia-pros-e-contras/
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1677-74092009000100006&script=sci_arttext
http://www.glamour.com/health-fitness/2007/08/weight-loss-surgery
http://www.cbsnews.com/news/gastric-bypass-surgery-may-lower-diabetes-risks-but-also-carries-dangers/
 http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2011/03/especialista-explica-os-tipos-de-cirurgia-bariatrica-oferecidos-pelo-sus.html

 

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