Não temos que ser magros

o gordo e o magro

Repercute nos veículos voltados para notícias de celebridades o mais novo integrante de uma estatística que cresce assustadoramente a cada dia. O apresentador André Marques infla o aumento de mais de 90% do número de cirurgias bariátricas feitas no Brasil nos últimos cinco anos. Isso me assusta. A cirurgia bariátrica, há uns 10 anos, era feita apenas nos casos de obesidade mórbida, e nesses casos ainda representa a capacidade positiva da medicina alopática de socorrer pacientes em situações emergenciais. Porém, ao meu ver, alguma coisa anda distorcida.

O primeiro ponto a ser levado em consideração é que somos muitos e diferentes. Com a globalização e a difusão dos meios audiovisuais, os padrões de beleza se impõem cada vez mais fortemente e de forma ditatorial sobre a população. O problema é que as pessoas não respeitam mais o próprio biotipo, e qualquer quilo que não represente problema de saúde, mas distancia a pessoa do “padrão de beleza”, é indesejado. É claro que se alguém apresenta sintomas de que o peso anda prejudicando sua saúde, aí sim está na hora de pensar em emagrecer. Caso contrário, respeite seu biotipo.

A segunda questão que penso ser importante, é que algumas pessoas com tendência à obesidade precisam realmente ter mais cuidado com a alimentaçao e mais disciplina na prática de exercícios. Só que vivemos na era da lei do menor esforço e do melhor resultado. Enquanto essas duas variáveis se mantiverem inversamente proporcionais, o resultado é tido como positivo. Para algumas pessoas é realmente difícil manter o peso hoje em dia, pois sofremos estímulos para consumir verdadeiras porcarias o tempo todo.

Com a propagação da cirurgia bariátrica, pessoas acima do peso e com problemas de saúde gerados pelos quilos a mais estão sendo operadas, quando, na verdade, poderiam recobrar o cuidado com a saúde com uma orientação adequada quanto a dieta e estilo de vida – e nesses casos a aprovação dos planos de saúde para a realização do procedimento legitima sua questionável necessidade. É bem possível que, com dieta e rotina corretas, essas pessoas fiquem saudáveis, mas não magras, porque elas, em suas melhores formas, não são magras! Alguns médicos usam a justificativa de melhorar quadros de doenças crônicas em pacientes que não são obesos mórbidos para indicar a cirurgia bariátrica, quando, na verdade, o paciente deseja apenas emagrecer.

UMA VISÃO AYURVÉDICA

A visão ayurvédica classifica o corpo em três biotipos: Vata, Pitta e Kapha. Os tipos Vata são naturalmente mais magros, já os tipos regidos por Pitta são de estrutura mediana, com músculos fortes e desenvolvidos. Os Kaphas são os estruturalmente maiores, com mais gordura. O que a nossa sociedade faz é transformar um tipo Kapha em Vata, o que gera doença. Uma pessoa Kapha é saudável quando está com essa energia equilibrada, e não sem ela no corpo.

Como o organismo está constantemente buscando o equilíbrio, ainda que você faça de tudo para impedi-lo, é comum ver que muitos “kaphinhas”, inconformados com as falhas nas tentativas de se tornarem magros. O corpo é inteligente, aceite-o como ele é. Não é raro ver pessoas que passaram por cirurgia no estômago, após 2 anos, ganharem peso novamente. Na minha opinião, isso é um misto de falta de orientação sobre hábitos e alimentaçao saudáveis com a recusa do corpo a ser aquilo que ele não é!

Uma pessoa de estrutura predominantemente Kapha, ainda que saudável e com hábitos diários adequados, nunca será magra. E se estiver magra, certamente não estará saudável. Não temos que ser magros, todos iguais. Isso é desumano, robótico.

Daniele Barbosa – editora do Portal Estar Bem
daniele.barbosa@gmail.com

2 Comments

  1. Daniele, acabei de conhecer o portal e fiquei feliz após ler alguns dos seus artigos! Realmente muito bons. Você consegue transmitir com palavras tudo o que penso e de forma concisa e clara. Parabéns!

    • Portal Estar Bem

      Oi, Ludmila!
      Fico feliz que gostou do portal! Grata por suas palavras.

      Um abraço,
      Dani

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