O dosha Kapha, a lua e a mulher

kapha a lua

Trabalho, contas, família, amigos, mais contas, diversão, casa, comida. A forma como o dia a dia é conduzido atualmente coloca peso excessivo até no lazer, no descanso. Acredito que a maneira pós-moderna de se viver acarreta desequilíbrios em todo ser humano, sendo ele homem ou mulher. Porém, a mulher, pela luta histórica travada em busca de igualdade por todos esses anos, desde a Revolução Industrial, encontra nos padrões sociais atuais, terreno fértil para o desequilíbrio.

No ayurveda, sistema de cura tradicional da Índia, o corpo e o mundo se manifestam de acordo com a interação de três forças primárias: os doshas. Se fossemos correlacionar os doshas com forças objetivas da natureza, o dosha Vata seria o vento, o Pitta o sol e o dosha Kapha a Lua. A relação da mulher com a lua é milenar. Até hoje é mais assertivo se basear nas fases lunares para calcular os estágios de uma gestação. O fluxo menstrual também está intimamente ligado com as fases da lua.

lua

Para a medicina ayurvédica uma mulher quando está grávida está passando por uma fase kapha da vida. Toda mulher tem essa força presente no corpo e na mente, ainda que os doshas que predominem em sua constituição sejam outros. O dosha kapha fisiologicamente está ligado à nutrição dos tecidos, ao muco presente no estomago, à lubrificação das articulações e também dos pulmões, entre outras atribuições. Na forma emocional e psicológica, Kapha é afeto e estabilidade. Não por acaso é composto pelos elementos terra e água, que juntos são sinônimo de estabilidade e nutrição. E como atualmente o lado Kapha das mulheres é suprimido em virtude da batalha pela igualdade.

Votar, trabalhar com salário justo e ter liberdade são conquistas positivas e incontestáveis. Porém essa busca de igualdade entre os gêneros criou uma geração de mulheres cheias de conflitos internos, porque ao passo que as aproximou socialmente dos homens, muitas vezes as distanciou da força feminina que é pura ternura. O sentimento materno está presente em qualquer mulher, seja ela mãe ou não, em maior ou menor grau. Mas ele está ali, hoje reprimido até mesmo em quem guarda uma vida no ventre.

fed54107f3486b7df2de24043cfc5adeÉ compreensível que a conexão da mulher com a terra, com sua feminilidade e a força desse sentimento de ser mulher tenha se perdido em virtude da conquista dos seus direitos. Porém urge a necessidade de reocuparmos esse lugar de mulher que nos atribui sensibilidade, afeto e estabilidade, nessa nova configuração social, onde ainda nos falta algum caminho a ser percorrido.

A relação da mulher com a menstruação atualmente é sintomática e aponta para a importância de nos reconectarmos com nossa energia Kapha, nossa energia feminina, ou vamos adoecer cada vez mais. Interromper o fluxo menstrual com hormônio para camuflar doenças como endometriose, cistos no ovário, cólicas fortes e sintomas indesejáveis são condutas adotadas por muitas mulheres que as distanciam delas mesmas. Alguns médicos afirmam que as mulheres não precisam menstruar todo mês, já que não vão engravidar todo mês. Mas a menstruação é justamente a solução inteligente do corpo para o óvulo que não foi fecundado.

Não vivemos isolados. Somos corpos influenciados e influenciáveis. Por isso, uma terra povoada por mulheres equilibradas com a força feminina, com a lua, com o dosha Kapha será também uma terra de solo, crianças e homens equilibrados.

 

Daniele Barbosa – idealizadora do portal Estar Bem 
daniele.barbosa@gmail.com 

 

2 Comments

  1. Daniele, estou encantada com seu blog. Além das informações e dos temas super interessantes, ele é lindo! Parabéns e obrigada!

    • Portal Estar Bem

      Oi, Paula!
      Fico feliz que está gostando do blog! Obrigada pelas palavras carinhosas.
      Um beijo,
      Daniele

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