Quando a natureza fala com a gente

sun tree

Ontem uma coisa linda aconteceu. Estava caminhando pelo meu condomínio e uma manga caiu do pé. Na minha frente. Íntegra, parecia que era de presente mesmo. Peguei a manga, retornei para casa. Contemplei o entardecer. O cheiro da manga foi lentamente estimulando meu agni. Cheguei em casa, lavei, tirei a casca e comi.

No momento eu lia um livro que falava sobre o quanto a natureza da nossa mente é bonita e como o estado de iluminação da mente é algo tão simples, tão ao nosso alcance, que a gente não vê, como nosso rosto colado no espelho.

Percebi o quanto estes instrumentos da nossa era, principalmente as redes sociais, as notícias em tempo real, essa torrente de informações desnecessárias, nos afastam da nossa natureza primordial. Essa quantidade de estímulos torna a água do lago da nossa mente turva e agitada, impossível de refletir a realidade das coisas, da vida.

Percebi também o quanto estamos desconectados da natureza, dos ritmos biológicos do corpo, da terra. Ainda matamos animais para comer. Exploramos a terra com agricultura depredatória.

Urge a necessidade de retornarmos, usando o melhor da nossa tecnologia para trabalhar a terra, trabalhar a mente. As coisas parecem desmedidas ainda. É como se tivéssemos um brinquedo novo e não sabemos ainda como brincar.

Aquela manga me mostrou o que eu já desconfiava. Precisamos voltar, para a terra, para as relações presenciais, para o trabalho com as mãos, para a profissão que respeita o ritmo de cada um, para a alimentação sem violência e amorosa com o solo. Precisamos abandonar essas teorias, esses aparelhos. Precisamos viver. Esquecer as câmeras e olhar com os olhos, fixar os momentos na memória.

 

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