Quando os superalimentos podem intoxicar

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Muito se fala dos superalimentos. Goji Berry, linhaça, açaí, quinoa, chia, Castanha-do- Pará. São realmente alimentos muito nutritivos, ricos em antioxidantes e benéficos se inseridos na alimentação. Porém é importante ressaltar que de nada adianta ingerir alimentos cheios de nutrientes se sua capacidade digestiva estiver operando abaixo do desejado. Ou seja, se sua digestão não anda boa.

O que acontece é que alimentos muito nutritivos precisam de bastante agni – termo usado no ayurveda para referir-se ao fogo digestivo – e sem agni, mesmo o melhor alimento vai virar toxina. Isso porque o fogo digestivo é responsável por transformar aquilo que ingerimos em tecido. A digestão possui diversas fases e o agni atuante em cada uma dessas fases precisa estar equilibrado para que o alimento vá sendo pouco a pouco metabolizado e transformado em nutrientes para o nosso corpo e mente.

linhaçaComo sabemos se nosso agni anda bom? Em média, duas horas após a refeição, não há mais arrotos com gosto da comida, há sensação de leveza no estomago, mas não há fome. Quatro horas depois da comida, gases e sensação de inchaço na região do abdômen são sinais de que a digestão não ocorreu como deveria. E ainda, arrotos com a presença de refluxo, falta de apetite e náusea sinalizam que seu agni não está funcionando muito bem.

Os superalimentos precisam verdadeiramente de um agni a todo vapor para serem bem aproveitados. Isso porque todo alimento muito nutritivo costuma ser mais difícil de digerir. É o caso da Castanha-do-Pará e do açaí, por exemplo. Alimentos integrais possuem mais fibras, mas também precisam de mais agni, por isso é preciso estar atendo à sua digestão. Se ela não vai bem, dificilmente esses alimentos cumprirão a função de nutrir e acabam virando toxinas oriundas da má digestão.

Como podemos melhorar nosso agni? Primeiro é preciso identificar qual o problema. Se há excesso de ácido digestivo ou deficiência dele no organismo. Refluxo com sabor ácido, fezes amolecidas e queimação no estomago sinalizam para o excesso de agni, o que também transforma o alimento em toxina. É como se a comida virasse carvão dentro da gente. Náusea, refluxo com sabor doce e falta de apetite apontam para um agni fraco.

No primeiro caso, consuma alimentos mais refrescantes, o famoso suco verde faz bem, desde que a fruta base não seja muito ácida. É porque a folha verde escura tem a capacidade de depurar e refrescar. Alface, água de rosas, água de coco, saladas cruas, frutas frescas também são benéficos. Evite alimentos gordurosos e picantes. Chás amargos também são indicados, como o boldo e a carqueja.

No caso de agni fraco, alimentos mais cozidos e preparados com especiarias, pimentas funcionam bem. Chá de gengibre é tiro e queda. Monodieta de sopa de legumes com especiarias por um dia ou jejum matinal tendem a melhorar o agni. Evite consumir doces, alimentos gordurosos e crus e laticínios.

No ayurveda a máxima “somos o que comemos” é adaptada para “somos o que digerimos”. A digestão é muito importante para o funcionamento correto dos órgãos e da mente. É o fogo transformador. Por isso, antes de adotar qualquer alimentação muito nutritiva, observe seu agni. E mais uma dica: evite misturar todos esses alimentos em um só prato ou suco, por exemplo, mesmo que seu agni esteja equilibrado. Isso vai torná-los ainda mais difíceis de digerir e aumentar a chance de virarem toxinas. Evite também esses shakes industrializados que misturam todos esses alimentos em um só produto. A chance de sobrecarregar a digestão é grande. E sem uma boa digestão, não há saúde!

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