A maternidade e o contato com a criança (ferida) interior

gravida

Nós podemos caminhar na vida e crescer, e evoluir à medida que aprofundamos as relações. Só conseguimos fazer um trabalho mais profundo de se aprimorar, se aprofundarmos nossas relações. Então isso pode acontecer por meio da amizade, entre pessoas, entre irmãos de sangue, por meio da relação entre um casal. No lugar de mulher, casada, filha, irmã, nenhum papel me fez crescer mais que o de mãe. E eu acredito que é assim para toda mulher que se torna mãe. Por que? Porque o bebê (considerando que um filhotinho humano é um bebê até os 3 anos) é o instrumento mais eficaz de colocar a mãe em contato com suas feridas mais profundas. E querer curá-las.

Eu não inventei isso. Laura Gutman, no best-seller “A maternidade e o encontro com a própria sombra”, deixa bem claro e esmiúça os desdobramentos dessa fase em que o filho manifesta um aspecto mal resolvido da mãe. Num primeiro momento, isso pode ser apavorador. Mas calma. Todas nós temos nossa sombra. O trabalho é aprender a acolher a sombra, trazê-la para luz, conscientizar-se.

18813317_1556516867700487_588875904157159364_nO filho é a mola propulsora deste trabalho. Porque é o amor que sentimos que nos empurra, às vezes de forma desgovernada, para a cura. Somos filhas de filhas feridas. Pessoas feridas sabem amar, sabem doar-se, mas sabem, sobretudo, ferir outras pessoas. Nenhuma mãe, por mais perfeita que seja, é capaz de atender total e absolutamente a demanda emocional de um filho. E todos somos filhos de uma mãe-filha. Ferida. A consciência sobre essa ferida é que vai regular a medida do dano. É o contato com a criança ferida que possibilita a libertação do padrão repetitivo de criar relações com base na dor.

Esse conhecimento muito maravilhoso chegou a mim por meio da incrível médica, criadora da Ciência do Início da Vida, Eleanor Luzes. Estive numa consulta com ela. A presença dela é arrebatadora. Uma verdadeira guia no caminho da cura. Por meio dela, conheci o trabalho da francesa Fanny Van Laere. E então pude entender melhor o que a maternidade estava querendo de mim. E é por isso que estou falando estes nomes aqui. Mãe, que está lendo este texto, busque por esses nomes no Google.

No mais, a minha contribuição é apenas o relato da minha vivência na maternidade, que pode inspirar outras mães. Façamos isso pelo mundo. Entrando em contato com nossa dor, conhecendo-a e transmutando-a podemos construir uma relação com menos feridas, que vai dar origem a seres humanos mais amorosos, que terão mais habilidade emocional para criar e amar seus filhos. E é dessa forma que vamos melhorar o mundo.

Mais que votar, olhar para dentro, acolher sua dor e abraçar a criança ferida que vive dentro de você é um ato político. Pois, desta forma, estamos contribuindo para a formação de seres humanos plenos, saudáveis e amorosos.

 

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