Maternidade é cura

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Toda mulher contemporânea carrega as marcas de um feminino ferido. Pode parecer meio absurdo generalizar. Mas hoje, eu afirmo que, se há exceções a essa regra, são pouquíssimas em todo o mundo. Por qual motivo nosso DNA haveria de carregar heranças das nossas ancestrais de todo o tipo – desde cor de olhos a órgãos suscetíveis a doenças – e não traria também as marcas de um feminino dilacerado? Essa ferida se abre para cada mulher em momentos diferentes, mas nunca, nunca deixa de se abrir quando a mulher se torna mãe.

O útero é a matriz energética do corpo da mulher. Nele circula a mais potente força que há no mundo: a força da vida. Porque esse órgão é capaz de abrigar o mágico processo de desenvolvimento da vida de um ser humano. A primeira casa de todos nós. Quando nele, dá-se início o desabrochar da vida humana, fará circular em todos os corpos da mulher (físico, mental, energético e espiritual) a torrente energia da vida. Duas almas abrigadas em um mesmo corpo. Dois corações, um só corpo.

a7eab4b0805c06c825175f9bcf03411fPode parecer que estou mistificando a gestação. Mas não. Quero dar a quem lê a real dimensão da grandiosidade que é a gravidez. Então esse útero que estava ali, com a vida em potência, começa a se transformar para abrigar a vida de fato. Nesse momento, somos divinas (eu disse divinas, não santas), mas então com a potência da vida, vem a vivência da dor da ferida. E mesmo que a mulher não queira, a dor vai gritar. É possível abafar esse grito, mas isso vai dificultar muito as coisas lá na frente. Ainda mais se esse útero é casa de uma nova mulher.

Seria impossível esse feminino ferido não pedir socorro neste momento. É fisiológico. Quando eu digo que o feminino ferido aparece na gestação não estou falando de problemas com sexo, ou com a mãe, ou depressão diagnosticada durante ou após a gestação. Você pode não ter passado por nada disso. Isso porque pertencemos a linhagens ancestrais diferentes. Na sua linhagem o feminino pode ter sido ferido pelo masculino, ou pelo próprio feminino. O feminino pode ter sido abusado ou oprimido, pode ter sido calado ou impiedosamente exigido. Há diversas maneiras de adoecer o feminino. Por isso que o sintoma dessa ferida será diferente para cada uma.

Se você ainda não esteve grávida, não se assuste. Porque por mais difícil que pareça ser, é a gestação a mais maravilhosa oportunidade de conhecer o tamanho, o tipo, a origem do seu machucado e assim poder fazer o curativo ideal. Mas se puder, busque conhecer a sua ferida antes de engravidar. Mesmo assim, tenha certeza: a gestação lhe trará “boas novas” da dor inscrita no seu DNA. Se já tiver trabalhado alguma coisa, será mais fácil.

Quando um útero se transforma na morada de um novo habitante do planeta, ele aponta para a mulher sem dó nem piedade a verdade crua das suas feridas. Depois, nasce a criança, que até os dois anos parece estar verdadeiramente empenhada em mostrar para a mãe tudo o que ainda ela não viu. E esse processo doloroso, mas tão, tão, tão bonito é de fato o verdadeiro renascimento de toda mulher disposta a adentrar nessa estrada de autoconhecimento e cura.

E depois dos nove meses, quando nasce a cria, o útero cicatriza lentamente da ferida que o nascimento de um filho causa em seu tecido, assim como de todas as outras feridas que tiveram suas cascas arrancadas pelo movimento de crescimento que ele fez para que o embrião pudesse virar feto e depois um bebê. E possibilita que esse tecido se regenere mais íntegro.

Maternidade é cura.

Gratidão eterna.

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